Eleitos à parte, Gilberto Kassab é o grande vencedor das eleições de 2022. Mesmo que não tenha concorrido a nada, o ex-ministro das Cidades e da Ciência e Tecnologia pode ser considerado um dos maiores vitoriosos do pleito mais polarizado desde a redemocratização.
O presidente nacional do PSD traçou uma estratégia arriscada e, como num lance em uma partida de xadrez, aplicou um xeque-mate em quem o considerava fora do páreo.
Seu primeiro movimento foi trazer para o PSD o ex-prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth, após longa trajetória de quase 30 anos no PSDB.
Kassab foi mais longe e convenceu Felicio a renunciar ao cargo na maior cidade do Vale do Paraíba e se lançar pré-candidato ao governo de São Paulo, mesmo aparecendo com 1% das intenções de voto.
Na ocasião, o discurso de Felicio era de que “a eleição está aberta” e que “poder ser possível chegar ao segundo turno”, mesmo diante da quase impossibilidade do feito.
Mas não para Kassab. Em novo lance arrojado, ele negociou a entrada de Felicio na chapa com Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ambos surgiram como azarões nas pesquisas eleitorais, aparecendo atrás de Fernando Haddad (PT) e de Rodrigo Garcia (PSDB), este no comando do governo paulista.
Ao final do primeiro turno, a realidade era outra. A chapa Tarcísio-Felicio aparecia em primeiro lugar e com larga vantagem para Haddad, que acabou derrotado no segundo turno.
Com isso, Kassab não só assegurou seu partido no segundo posto do governo paulista como ele próprio foi anunciado por Tarcísio como secretário de Governo, um dos cargos mais influentes do Palácio dos Bandeirantes.
“Kassab ficará responsável por negociar com a Assembleia Legislativa e fazer a ponte com os prefeitos e o governo federal. Não há um cargo mais influente do que este”, afirmou um influente político do PSD.
A influência de Kassab sobre Tarcísio tem provocado rumores entre as pessoas mais próximas ao presidente Jair Bolsonaro (PL), como o filho dele, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que tem se queixado do ex-ministro (leia texto nesta página).
O xadrez político de Kassab não acaba aí. O PSD elegeu 42 deputados federais e, segundo comentários nos bastidores da política, o partido deve crescer com as movimentações que acontecem em início de mandato.
Uma fonte ligada a Kassab confirmou que o presidente do PSD se reuniu com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e teria garantido votos alinhados com o governo federal a partir de 2023. Em contrapartida, a legenda negocia ao menos dois ministérios no terceiro mandato de Lula.
Antes do xeque-mate, contudo, Kassab desconversava sobre apoio do PSD no segundo turno das eleições presidenciais. Disse deixar os partidários livres para decidir por Bolsonaro ou Lula. No fim das contas, não queria se indispor com os bolsonaristas antes da hora e nem acertar com Lula antes da vitória do petista. Acertou em ambas.