Com a nova onda de Covid-19 pela mais recente subvariante da Ômicron, setores da saúde voltam a fazer apelo para a vacinação infantil, que no Brasil apresenta baixas de adesão contra esta e outras doenças graves. Especialistas enfatizam que vacinas são seguras, salvam vidas e combatem a disseminação de enfermidades até mesmo erradicadas e que o engajamento dos pais tem efeito coletivo.
"Há lacunas enormes na vacinação de crianças, o que propicia a circulação de vírus e, no caso da Covid, dá brecha para que a população atendida possa ser mais infantil. Dói ver. Temos a arte de proteger, mas a sociedade não se protege de evitáveis óbitos ou sequelas irreversíveis", diz Stella Zöllner, médica diretora do departamento de medicina da Unitau (Universidade de Taubaté).
Segundo pesquisa de abril, da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), três a cada dez crianças brasileiras deixaram de tomar vacinas contra doenças que podem ser fatais. De 2019 para 2021, a cobertura vacinal da poliomielite era de 84,2% e caiu a 67,7%; a aplicação da Tríplice Viral (caxumba, sarampo e rubéola) foi de 93,1% a 71,49%.
Levantamento da Folha de S.Paulo, com cruzamento de dados oficiais de DataSUS e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta ainda que só uma em cada dez crianças de 3 e 4 anos recebeu primeira dose contra Covid-19 em três meses de campanha –13,9% deste nicho; 4,2% têm segunda dose.
Os dados dão dimensão do déficit no país. "Uma boa cobertura vacinal ocorre com adesão acima de 90% e bem distribuída geograficamente. Vacinação não pode ser parcial", explica Stella.
Ana Rosa dos Santos, gerente de imunizações do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica, fala em esquema vacinal completo. "Só assim a imunização é feita. É comum variantes em doenças virais, por isso há vacinas revisadas e aplicadas todo ano. Temos tecnologia para isso. Mas o vírus adora encontrar gente não imunizada para replicar. Vacinar é cidadania, é proteger também os outros."
Ambas as profissionais concordam que o medo de contágio na pandemia inibiu pais, mas que a desinformação e as fake news geram insegurança e devem ser combatidas.
"A ciência não parou. Acreditar nela é fundamental. Vacinas não deixam sequelas; doenças, sim", afirma Ana.
A orientação é que pais estejam em dia com rotina pediátrica e carteira de vacinação dos filhos, cobrando dos médicos quais serão as próximas vacinas e consultas.