Em determinada época, os homens decidiram construir uma torre que alcançasse os céus, de tão alta e imponente.
Diante da arrogância humana, Deus resolveu intervir e promover confusão entre os construtores, fazendo com que cada um falasse uma língua diferente.
“Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra”, diz trecho da Bíblia encontrado em Gênesis 11:9, que narra o mito da Torre de Babel.
A narrativa serve de metáfora para o que vem ocorrendo com a equipe de transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vendeu a eleição presidencial e toma posse a partir de 1º de janeiro, ao lado de Geraldo Alckmin (PSB), eleito vice-presidente.
Alckmin comanda a transição com o atual governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas, mas que segue contestando o resultado da eleição.
Há 320 integrantes na equipe liderada pelo ex-governador de São Paulo nascido em Pindamonhangaba, considerando os membros dos 31 grupos técnicos, coordenadores e o conselho político.
Além desses, Alckmin anunciou a participação de 99 parlamentares em grupos técnicos da transição, vindos de 13 partidos – a maioria ligada ao PT.
A legenda de Lula tem 39 nomes na equipe parlamentar da transição, com mais 13 integrantes vindos do PSD de Gilberto Kassab. A lista ainda tem membros do PSB (11 nomes), PDT (10), PC do B (7), MDB (5), Avante (4), Solidariedade (3), Pros (3), PV (2), Rede (1) e PSOL (1).
Com tantos partidos e parlamentares de diferentes matizes ideológicos e de interesses, a transição de Lula arrisca virar uma ‘Torre de Babel’, com integrantes procurando ganhar o maior espaço possível e garantir influência no novo governo.
“É uma equipe um pouco grande demais”, disse o ex-ministro Henrique Meirelles, durante evento em Nova York, nos EUA. Ele é um dos cotados a participar da equipe econômica de Lula em 2023.
Além disso, a equipe de transição enfrenta críticas de baixa diversidade, com sub-representação de mulheres, negros, indígenas e de pessoas de outros estados, sendo formada, majoritariamente, por homens, brancos, paulistas e filiados ao PT.
Dos nomes escolhidos para o gabinete de transição, 64% são homens. Os brancos representam 75%, enquanto os negros somam 18%. Há ainda 11 indígenas (3,8% do total) e quatro integrantes de origem asiática. Os grupos técnicos, conselho político e coordenações somam 207 homens e 113 mulheres – praticamente dois homens para cada mulher.
Em sua defesa, o PT disse que diversos integrantes representam "pautas coletivas". “Há uma composição plural”, afirmou a deputada federal Maria do Rosário (PT).