A família de Leonardo Duma se mudou para Ubatuba da cidade Garça, no interior de São Paulo, para buscar novos ares. No final de 2015, a família formada pelo pai de Leonardo, sua mãe e sua irmã chegaram ao litoral norte para iniciar uma nova fase. Após passar por dois imóveis, em 2018, a família acreditou ter encontrado a casa perfeita, com quintal grande e bastante espaço para os dois cachorros.
A casa que ficava cercada de imóveis de veraneio acomodou bem a família Duma, apesar do detalhe de que a antiga proprietária do imóvel estava desaparecida desde 2013. Uma história que preocupou a mãe de Leo, mas nada que fizessem eles desistirem daquele novo local. Era uma história como qualquer imóvel tem, afinal de contas, assim como a família Duma estava vivendo sua vida agora, outras pessoas também haviam vivido às suas lá -- ainda que envolvesse um desaparecimento.
"A minha mãe ficou um pouco incomodada de saber daquilo, mas nós não demos muita atenção, no geral", conta Leonardo, filho mais velho da família. Assim foi por alguns meses. Contudo, como o litoral é úmido, o quanto do casal passou a ficar frequentemente com mofo e mau cheiro. Decidiram tirar algumas plantas de um dos canteiros do quintal. Depois, os filhos quiseram fazer uma 'casinha’ para o porquinho-da-índia da família. Ali parecia ser o local ideal.
O pai da família, junto aos dois filhos, começaram a cavar o local para poder plantar grama no local. Porém, um cobertor foi encontrado. Ao escavar mais, um osso, que, no momento, a família não tinha ideia de que se tratava de um fêmur humano.
“É da mulher que morava aqui”, disseram as crianças. Na época, Leo tinha 17 anos e brincava naquele momento em família, sem preocupações, junto ao pai e a irmã. Sem maldade. “É um cachorro”, disparou o pai, tentando apaziguar a situação.
Ao retirar todo aquele cobertor enterrado e desenrolá-lo, o pai de Lei afirmou, com certeza. “É gente”. Um grito de surpresa saiu da boca da filha. Era Carmen, a antiga moradora do imóvel, que até então estava desaparecida. Sua ossada foi encontrada no quintal da casa em que morava, em 2018.
CRIME.
Carmem Morales desapareceu no dia 8 de agosto de 2013. Professora de inglês de 62 anos, ela morava sozinha em sua casa e depois que desapareceu, seu irmão, que mora em Brasília, passou a ter a tutela do imóvel em 2018.
Na época, o carro de Carmem foi encontrado abandonado e batido, com pertences da mulher dentro. Contudo, nenhuma outra pista sobre o caso foi encontrada e o inquérito foi fechado.
Depois do encontro da ossada, o caso foi reaberto e a possibilidade de um homicídio foi levantada. Após investigações, chegou-se à hipótese de que um prestador de serviço teria matado Carmem estrangulada e enterrado-a no quintal. Ele teria então saído com o carro dela da garagem.
Atualmente, o inquérito já foi encerrado, mas ninguém foi preso.
Depois da descoberta da ossada, a família começou a procurar outro imóvel para morar, mas teve que ficar na casa por mais um ano. Hoje, eles moram em Araraquara. A história ficou marcada na memória da família.
“Toda semana a gente pensa sobre e não acreditamos até hoje que isso aconteceu com a gente. Minha irmã parou de fazer terapia essa semana, tratamento que ela fazia por causa desse episódio”, conta Leo.
“Na época, eu ficava imaginando como ela teria sido morta, ela sendo atacada, sendo ‘embrulhada’ no cobertor. Tinha até medo de que o assassino voltasse para a casa, para se vingar de nós”, completa o estudante.