Oito bilhões de vizinhos.
Enquanto o Brasil recordava os 133 anos da Proclamação da República com milhares nas ruas pedindo golpe militar, o mundo alcançava a extraordinária marca de 8 bilhões de habitantes.
De acordo com estimativas da ONU (Organização das Nações Unidas), a população mundial completou o recorde na terça-feira (15).
O bebê número 8 bilhões nasceu na República Dominicana. O garoto Damián foi o escolhido pela ONU para celebrar o momento histórico. Mas ele poderia ter nascido na Índia, país que mais contribuiu para o aumento da população: 1,4 bilhão de indianos atualmente. Ano que vem já serão mais do que os chineses.
Segundo a ONU, apenas oito países respondem por mais da metade do crescimento populacional. Além da Índia, República Democrática do Congo, Egito, Etiópia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Tanzânia.
Nesse contexto, avaliou o organismo internacional, o aumento nos nascimentos em países de baixa renda é uma das preocupações para as próximas décadas.
Se por um lado o envelhecimento de populações de nações desenvolvidas preocupa, o crescimento no número de habitantes do planeta agrava riscos ambientais, como o desmatamento e o aquecimento global. Mas também aumenta o desafio de garantir comida para todos e de reduzir a miséria e a desigualdade globais.
A pergunta é: 'O mundo comporta tanta gente?'.
DESAFIOS.
Eis o tamanho dos desafios: o planeta perdeu 420 milhões de hectares de florestas desde 1990, a emissão de gases que aquecem o planeta é cada vez maior e 30% de todos esses gases vêm da produção de alimentos, enquanto a fome e a pobreza se alastram.
Detalhe: os maiores emissores de gases que aquecem o planeta não são os países mais pobres, onde a população mais cresce. São os países em que as pessoas têm mais dinheiro. Eles também consomem a maior parte da energia do mundo.
A ONU, no entanto, preferiu destacar os aspectos positivos da marca histórica: avanços da medicina que fazem a humanidade viver mais. Segundo a entidade, o problema não está no crescimento da população, mas na má distribuição dos recursos.
"Agricultura em menor escala mais perto de casa, com os países ricos apoiando tecnicamente e com recursos os que estão no processo para desenvolver matrizes energéticas renováveis e também com saúde, educação, segurança", listou Rachel Snow, do Fundo das Nações Unidas para as Populações, sobre as metas para os próximos anos.
A expectativa dele e da ONU é de que o planeta leve 15 anos para atingir 9 bilhões de pessoas. Precisou de apenas 12 anos para passar de 7 a 8 bilhões. E o mais incrível: passaram-se 300 mil anos até que a Terra fosse povoada por 1 bilhão de pessoas, por volta de 1804, ano em que a morfina foi descoberta.
IMPACTOS.
Celebrações à parte, o mundo pode já ter bem mais de 8 bilhões de habitantes. Isso porque vários países não têm dados do censo, principalmente as nações mais pobres. A última contagem da população brasileira, por exemplo, foi realizada em 2010.
"Os impactos exatos na vida humana futura, eu acho, ainda precisam ser determinados", disse Patrick Gerland, que supervisiona as estimativas populacionais do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas.