11 de julho de 2026
ATOS GOLPISTAS

Novas teorias da conspiração alimentam movimentos bolsonaristas na RMVale no feriado

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Bolsonaristas em atos no Vale do Paraíba

As manifestações golpistas convocadas na RMVale por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado na eleição, se nutrem de novas teses conspiratórias para além daquelas já conhecidas, como a interpretação fraudulenta do artigo 142 da Constituição – que supostamente daria (e não dá) poderes às Forças Armadas de intervir no país.

Neste feriado da Proclamação da República, centenas de bolsonaristas foram às ruas em cidades do Vale do Paraíba pedir, novamente, intervenção federal e militar em rejeição ao resultado da eleição presidencial, que deu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Desta vez, há ao menos duas novas teorias da conspiração e fake news alimentando a esperança desesperançada de bolsonaristas do Vale.

A primeira delas diz que o resultado da eleição ainda pode ser revertido antes de 19 de novembro, data marcada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para a diplomação da chapa vencedora da eleição, Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Trata-se de uma espécie de “gol aos 48 do segundo tempo” para a narrativa bolsonarista. Mensagens em aplicativos pululam com áudios atribuídos a falsos membros do Judiciário que garantem que, se os atos golpistas continuarem até 19 de novembro, a eleição será revertida por uma decisão judicial e o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, também seria preso.

Sem pé nem cabeça, a teoria se sustenta em áudios fabricados de maneira a levar bolsonaristas a acreditar na falácia, o que tende a manter pessoas protestando nas ruas por intervenção federal e militar, num círculo vicioso de desinformação e atos golpistas.

“É uma rede distribuída, sem um único centro, mas uma estratégia política de desinformação. Não dá para saber se elas acreditam nisso ou se estão no trabalho intencional de disseminar uma mentira”, avaliou o cientista Social e Político Sérgio Amadeu da Silveira, professor da UFABC (Universidade Federal do ABC) e consultor de Comunicação e Tecnologia.

INVASÃO ESTRANGEIRA

A segunda teoria da conspiração apurada por OVALE é ainda mais obscura e faz referência ao comparecimento de ministros do TSE e do STF (Supremo Tribunal Federal) em Nova York, nos Estados Unidos, nesta semana.

Os magistrados participaram do evento ‘Lide Brazil Conference New York’, promovido pelo grupo de lideranças empresarias Lide, criado por João Doria, ex-governador de São Paulo.

Correram o país vídeos de pessoas ofendendo os ministros brasileiros na cidade norte-americana.

Na teia conspiratória bolsonarista, a ida dos ministros aos EUA faria parte de um grande esquema de entregar o país a forças estrangeiras, capitaneadas pelos americanos. Tal movimento, então, justificaria uma intervenção preventiva no Brasil para evitar que o território fosse ocupado por países vizinhos, especialmente comandados por governos de esquerda, como Venezuela e Argentina.

“Não temos no Brasil uma militância QAnon como nos Estados Unidos em que os grupos exibem de maneiras mais vocal essa grande teoria conspiratória representada pelo QAnon, mas a gente vê elementos sendo trazidos por atores políticos bolsonaristas para o debate publico”, apontou, em artigo, o analista político Guilherme Casarões, integrante do Observatório da Extrema-direita.

Ele vê uma ‘importação’ das teorias conspiratórias da extrema-direita americana para o Brasil, principalmente do movimento QAnon, que criou diversas fake news para defender a candidatura e depois o governo de Donald Trump.

“A disseminação de teorias conspiratórias em geral, difamatórias e que têm um alvo muito específico ou um conjunto de alvos muito específico tem impactos muito importantes no jogo político. Permitir que isso se dissemine no mundo político tem impacto eleitoral”, disse Casarões.