11 de julho de 2026
MILITARES

Em relatório ambíguo, Ministério da Defesa não apontou indício de fraude na eleição

Por Da Redação | Brasília
| Tempo de leitura: 2 min
Alejandro Zambrana/Secom/TSE
Relatório das Forças Armadas não apontou indício de fraude no processo eleitoral

Um relatório com 63 páginas, sendo 24 de análise das etapas de fiscalização e o restante de anexos, que pode ser resumido em uma palavra: ambiguidade.

Na tarde da última quarta-feira (9), o Ministério da Defesa enviou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o relatório de fiscalização do sistema eletrônico de votação realizado pelas Forças Armadas.

O documento não cita, em nenhum trecho, indício de fraude no processo eleitoral. Os militares afirmam que os dados de totalização dos votos das eleições deste ano estão corretos. "Conclui-se que a verificação da correção da contabilização dos votos, por meio da comparação dos Boletins de Urnas (BUs) impressos com dados disponibilizados pelo TSE, ocorreu sem apresentar inconformidade", diz trecho do texto.

Ao mesmo tempo que não cita qualquer indício de fraude, o documento alega que o TSE teria restringido o acesso dos militares aos dados das urnas, e que por isso a análise "não foi efetiva para atestar o correto funcionamento do sistema". Em outras palavras, o ministério sustenta que não é possível afirmar que o sistema é seguro contra eventual código malicioso.

Para especialistas, no entanto, esse argumento do Ministério da Defesa não procede. Esses dados que a pasta diz não ter tido acesso puderam ser conferidos no ano passado, durante os testes públicos de segurança das urnas. Na ocasião, 26 entidades públicas e privadas participaram, mas os militares não enviaram representantes.

Além disso, outras entidades fiscalizadoras, como o TCU (Tribunal de Contas da União) e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), além de observadores internacionais, como a OEA (Organização dos Estados Americanos) e a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), concluíram que o sistema eleitoral brasileiro é seguro.

Apesar da ambiguidade do relatório, o TSE divulgou nota para destacar que o Ministério da Defesa "não apontou a existência de nenhuma fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral de 2022".

Bolsonaristas ficaram indignados com o relatório e criticaram o Ministério da Defesa nas redes sociais - boatos de que os militares haviam identificado fraudes nas eleições eram espalhados para turbinar os protestos em estradas e manifestações em frente a quartéis país afora.

Diante dessa reação, o ministério chegou a divulgar uma nota na quinta-feira (10), ressaltando que não descarta a possibilidade de fraudes no pleito - mas, novamente, sem apontar qualquer indício de irregularidade.