10 de julho de 2026
PROTESTOS

Com chamado para 'greve geral', bolsonaristas iniciam segunda semana de protestos

Por Gabriel Campoy | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Gabriel Campoy / OVALE
Protesto em São José dos Campos

Os protestos contra o resultado das eleições presidenciais entram nesta segunda-feira (7) em sua segunda semana. Após o bloqueio de rodovias no início da semana e até reuniões em frente a quarteis e instituições militares, grupos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) agora pretendem realizar uma “greve geral”, convocada por meio das redes sociais.

Em mensagem que vêm rodando grupos de WhatsApp, por exemplo, o “Movimento Patriotas” chama empresários que apoiaram a candidatura presidencial de Bolsonaro a paralisar as atividades de suas empresas, indústrias, escolas, faculdades, entre outros, “em defesa do Brasil” e contra a “instalação do comunismo”,em alusão a eleição de Lula (PT), no último domingo.

A medida, no entanto, tem dividido opiniões até de bolsonaristas nas redes. Chamado de 'lockout', a paralisação intencional de patrões, impedindo seus empregados de trabalhar, é, em tese, proibida por lei.  Caso identificado pelos agentes fiscais, o ato pode ocasionar em penalidades como multa no valor de R$ 50 mil, perda do cargo de representação profissional e até uma suspensão de dois a cinco anos do direito do empresário envolvido ser eleito para algum cargo de representação profissional.

Protestos continuam sendo organizados para acontecer em frente de unidades militares ao redor do país. Em São José dos Campos, os manifestantes estão desde terça-feira (8) acampados nas imediações do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica), sob alegação de pedirem 'intervenção federal'..

As reivindicações, no entanto, com o tempo já sofreram algumas alterações. No início, a maioria das faixas tinham com pedidos de “intervenção militar” e “voto impresso”, entre outras. Depois, circulam mensagens nas redes de que manifestantes estariam tentando retirar temas antidemocráticos sejam retiradas do discurso, assim, até, como o nome Jair Bolsonaro. A ideia é que os protestos sejam vistos como “em prol do Brasil". Novas faixas com mensagens, como “S.O.S. Forças Armadas”, também já estão entre os principais tópicos.

MANIFESTAÇÕES

Nos últimos dias, que sucedem as eleições e reúnem manifestações por todo o país, apoiadores do presidente também tem se apoiado em notícias falsas para reclamar de uma possível fraude no pleito presidencial. Um vídeo de um influenciador de extrema-direito argentino, que questiona o resultado da eleição brasileira, é um dos conteúdos compartilhados pelos manifestantes. Nos últimos dias, até a cantora Lady Gaga entrou na narrativa do grupo, que citou um possível encontro de Bolsonaro com uma juíza do Tribunal de Haia com o nome da artista. A fake news logo virou piada nas redes.

Até o momento, o Comitê de Transparência que realiza testes em 641 das urnas eletrônicas utilizadas nas últimas eleições – sendo 56 com uso de biometria dos eleitores – não encontrou nenhuma irregularidade no aparelho. O Exército, inclusive, após uma sugestão acatada das Forças Armadas, faz parte deste comité avaliador.