11 de julho de 2026
PROTESTOS

Acampados em barracas, bolsonaristas chegam ao 4° dia de protestos em frente ao DCTA

Por Gabriel Campoy | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Naiara Santos / OVALE
Protesto de bolsonaristas em frente ao DCTA

Com barracas montadas em frente ao DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), o protesto de bolsonaristas contrários ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais no último domingo (30) chegou ao seu quarto dia. Segundo integrantes do grupo, o acampamento se manterá por tempo indeterminado. No entanto, parte das mensagens reproduzidas nos primeiros dias de manifestação não são mais vistas em faixas e cartazes pelo local.

Em contato com alguns manifestantes, a reportagem observou que o discurso antigo de uma tomada dos militares ou até mesmo a recondução de Jair Bolsonaro à presidência é tema “superado”. Por mais que boa parte dos presentes repitam exaustivamente que as urnas e as eleições teriam “sido fraudadas”, o pedido agora seria por uma “intervenção federal” e o “cumprimento do artigo 142”. Além disso, muitos citam os processos de Lula (PT) no âmbito da Operação Lava-Jato como motivo principal da não adesão aos resultados do processo eleitoral.

Líderes do movimento, inclusive, em conversa com OVALE, afirmaram que por muitas vezes o protesto perde o foco, admitindo a presença de faixas antidemocráticas, mas enfatizando que o cerne das mobilizações não são essas mensagens. “Algumas pessoas colocam faixas que muitas vezes não sabem o que é. Falar de lei é complicado, temos uma constituição bem clara em relação a tudo. Nossa briga é por situações que são embasadas e permitidas perante à legislação”, disse um dos entusiastas do projeto que não quis se identificar. Ele também não cita quais pautas seriam essas.

Outra narrativa difundida entre os manifestantes e já repetida de forma quase unanime por todos ali presentes, é de que o protesto “não tem ligação com Bolsonaro”. A questão agora seria “pelo país e contra a criminalidade”.

“Nosso protesto não é bolsonarista. O Bolsonaro foi um instrumento para nosso movimento, com valores e ideias que refletem o que pensamos. Mas ao que tudo indica ele perdeu e vai sair. Nossa questão é pela lisura das urnas eletrônicas e contra a diplomação de um ex-presidiário como presidente da República. Isso é inadmissível. É pelo nosso país”, afirmou uma das manifestantes se referindo pejorativamente ao ex-presidente Lula. Ela também não quis se identificar.

Neste sábado (5), o movimento pela manhã no local era menor. Cerca de 50 pessoas se aglomeravam no gramado em frente ao DCTA. Como é possível observar, grande parte deste público são idosos e pessoas mais jovens. Eles se revezam com adultos que, eventualmente, param no local para dar apoio às manifestações, mas eventualmente saem para obrigações externas como trabalhar e estudar.