11 de julho de 2026
FUTURO

Após dizer que iria se ‘recolher’ em caso de derrota, Bolsonaro não deve deixar política

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Isac Nóbrega/PR
Jair Bolsonaro durante pronunciamento após derrota na eleição

Não que seja algo surpreendente e nem inédito, mas o presidente Jair Bolsonaro (PL) deve contrariar algo que ele mesmo disse.

Em setembro, já em meio à campanha à reeleição, Bolsonaro afirmou que deixaria a política em caso de derrota. "Se não for [reeleito], a gente passa a faixa, e vou me recolher. Porque, com a minha idade, não tenho mais nada a fazer aqui na Terra, se acabar essa minha passagem pela política em 31 de dezembro deste ano [que é quando se encerra o mandato presidencial]”.

A derrota nas urnas veio, mas a saída da política é pouco provável. Um dos indicativos disso é que Bolsonaro vai ganhar um cargo no PL após deixar a presidência. É uma forma de continuar em Brasília e de manter seu nome em evidência, já que pela primeira vez desde 1989 estará sem mandato.

Além disso, no primeiro pronunciamento após a derrota na eleição, o presidente adotou um tom que já pareceu mirar em 2026. Criticou a esquerda, agradeceu aos 58 milhões de votos que recebeu e disse que a direita "nasceu de verdade" no Brasil. "É uma honra ser o líder de milhões de brasileiros que, como eu, defendem a liberdade econômica, a liberdade religiosa, a liberdade de opinião, a honestidade e as cores verde e amarela da nossa bandeira".

Apesar da não reeleição, Bolsonaro é hoje o principal nome da direita e do conservadorismo no país. Seu principal desafio será manter o nome em evidência e evitar que os aliados de agora - como os governadores de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, e também os deputados e senadores que ajudou a eleger - se distanciem da órbita bolsonarista.

TESTE.
Embora Bolsonaro já pareça mirar em 2026, o primeiro teste para medir a força do bolsonarismo deve ser em 2024, nas eleições municipais. Pela legislação, parentes do presidente não podem disputar cargos que não sejam os mesmos que já ocupam. Com Bolsonaro fora da presidência, isso abre caminho para que filhos dele disputem prefeituras de capitais – como Eduardo Bolsonaro em São Paulo e Carlos Bolsonaro no Rio de Janeiro, por exemplo.