O risco Bolsonaro.
Primeiro presidente no cargo a perder a reeleição desde a redemocratização, Jair Bolsonaro (PL) tende a continuar estendendo a corda do jogo político.
Ele levou quase dois dias para se dirigir à nação depois de perder a eleição no domingo (30), mas não reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como é práxis na democracia.
Em seu discurso de 2 minutos, Bolsonaro deixou nas entrelinhas que não concorda com o resultado eleitoral e que teria sido vítima de fraude, sem apresentar qualquer prova. A declaração repercute entre seus apoiadores e inflama os mais radicais. É oxigênio para a extrema-direita.
“Lula terá um embate perigoso contra o golpismo da extrema-direita bolsonarista. Como ele reagirá a essa pressão?”, questiona, em artigo publicado em seu site, o economista Paulo Nogueira Batista Jr., que foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, em Xangai, e ex-diretor executivo no FMI pelo Brasil.
Autor de ‘O Brasil não cabe no quintal de ninguém’, lançado no final de 2019, Batista Jr. avalia o risco de Lula ter que enfrentar o terceiro e um quarto turno das eleições, com Bolsonaro mantendo a temperatura política nas alturas para agradar sua militância.
“Bolsonaro, derrotado por pequena margem, tende a continuar aprontando. Seus apoiadores mais radicais, muitos deles inclinados à ilegalidade e à violência, estão ressentidos e inconformados. Lula terá de enfrentar, provavelmente, o que alguns na mídia estão chamando de “terceiro turno”, isto é, um embate perigoso contra o golpismo da extrema-direita bolsonarista. Os cuidados com a segurança do presidente eleito, diga-se de passagem, devem ser redobrados”, disse o economista.
E completa: “Teremos também um ‘quarto turno’, processo pelo qual o poder econômico-financeiro tenta enquadrar o presidente eleito, atuando para que o futuro governo contemple seus interesses e privilégios”.
Na avaliação do economista, Lula pode fazer “mais e melhor” neste terceiro mandato do que fez nos dois primeiros. Por estar mais experiente, por contar com apoio de uma frente ampla e pelos desafios que lhe são impostos. “Não dá para vacilar. O Brasil já perdeu tempo com Bolsonaro e agora tem que partir para a recuperação sustentável”, disse Batista Jr.