11 de julho de 2026
ELEIÇÕES

Capitólio à brasileira: bloqueios, agressões e ameaças golpistas no Brasil emulam Trump

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Invasão do Capitólio nos Estados Unidos

MacPhisto e Bolsonaro.

No dia do segundo turno das eleições brasileiras em 2018, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil, o vocalista do U2, Bono Vox, fez um show com a banda em Belfast, na Irlanda do Norte.

Travestido do demônio MacPhisto, Bono criticou o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e das Filipinas, Rodrigo Duterte, e Bolsonaro, que seria eleito presidente do Brasil naquela noite.

Em tom premonitório, MacPhisto/Bono disse aos fãs irlandeses: “Duzentos milhões de pessoas prestes a ter seu carnaval transformado numa parada militar por um homem chamado Capitão Bossa Nova. Bolsonaro, não esqueçam o nome. Muitos nomes, mas apenas um rosto: o meu”, disse o vocalista durante a apresentação.

O carnaval brasileiro resistiu à pandemia da Covid-19 e ao mandato de Bolsonaro, claramente contra a cultura, mas a parada militar tomou as ruas do país desde a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao derrotar Bolsonaro no domingo (30) com a maior votação da história brasileira, mais de 60 milhões de votos.

Manifestações golpistas de bolsonaristas por todo o país na última semana, rejeitando o resultado da eleição e pedindo intervenção federal e militar, foram marcadas por episódios de estética militar, como marchas, fardas e formações militarizadas.

No Vale do Paraíba não foi diferente. Em Guaratinguetá, um vereador de Potim que discursou na parada usava uma boina militar. Em outras cidades, como Pindamonhangaba, Taubaté e São José dos Campos, a mesma estética militar: pessoas marchando, roupas camufladas e brados militarizados.

Os atos foram organizados e coordenados pelas redes sociais. OVALE teve acesso a áudios e mensagens trocadas em grupos de mensagens da extrema-direita e a ordem era não assistir tevê, não ler jornais e nem acessar sites noticiosos. Informações apenas pelos grupos bolsonaristas. A ordem era ir para frente de unidades militares da região pedir intervenção no país, um duro golpe na democracia.

Não há nada de original nisso. Trata-se da mesma receita e do modus operandi que Donald Trump usou em 2020, nos Estados Unidos, quando perdeu a eleição para Joe Biden. Candidato à reeleição, Trump não aceitou a derrota e inflamou a militância com denúncias sem provas de que a eleição teria sido fraudada.

A votação ocorreu em novembro de 2020 e a contestação trumpista continuou por vários meses, culminando na invasão do Capitólio no começo de janeiro de 2021. Apoiadores de Trump invadiram a casa símbolo da democracia estadunidense. O saldo foi de cinco pessoas mortas e mais de 100 feridas.

“Há candidatos disputando todos os níveis de cargos que não se comprometem a aceitar os resultados das eleições das quais participam. Esse é o caminho para o caos. Não tem precedentes. É ilegal e antiamericano. Você não pode amar seu país só quando vence”, afirmou Biden na ocasião.

Quase dois anos depois, o receituário vem sendo aplicado no Brasil, numa espécie de ‘Capitólio à brasileira’. Bloqueios nas estradas, agressões nas ruas e ameaça golpista proliferam pelo país desde a vitória de Lula. A violência grassa com bolsonaristas armados gravando vídeos para ameaçar a democracia. Haverá invasão aqui também?