09 de julho de 2026
ELEIÇÕES

Com país dividido, desafio de Lula é pacificar o Brasil e combater a fome e a miséria

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Militantes políticos se enfrentam no Brasil

Muito mais desafiador do que em 2018, quando Jair Bolsonaro (PL) tornou-se presidente do Brasil, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá um desafio sem precedentes desde a redemocratização para unir um país rachado.

Bolsonaro passou praticamente o mandato todo fomentando a divisão na população, governando mais para seus apoiadores e rechaçando quem não o segue. Ele ofendeu mulheres, atacou a imprensa, elevou a instabilidade política à enésima potência e quis de várias maneiras entornar o caldo democrático.

Derrotado nas urnas pela votação mais expressiva da história, com 60,3 milhões de votos para Lula, Bolsonaro demorou dois dias para reconhecer que perdeu as eleições e, mesmo assim, não fez menção ao vencedor, como é práxis em regimes democráticos.

A partir de 1º de janeiro, Lula enfrentará seu maior desafio, o de unificar um país dividido. Bolsonaro teve 58,2 milhões de votos e parte desse eleitorado, ainda que a minoria, foi às ruas em atos golpistas pedindo intervenção federal e militar por não aceitar o resultado das urnas.

São brasileiros para quem Lula terá que governar. Antes, o petista terá que desarmar a bomba beligerante construída por Bolsonaro durante seu mandato.

O primeiro sinal da estratégia de Lula foi dado na noite do domingo (30), após a confirmação de que fora eleito para seu terceiro mandato presidencial.

Lula fez um pronunciamento em um hotel em São Paulo, após a confirmação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Depois, discursou para milhares que celebravam a vitória na Avenida Paulista, na capital.

Aos apoiadores, Lula disse que a vitória é de todos que “amam a democracia e querem um país mais justo”. O petista disse também que a eleição dele representa a derrota do “autoritarismo e do fascismo”.

No hotel, ao lado do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), Lula fez seu primeiro discurso com tom conciliador, pregando que será o presidente de todos, e não apenas dos apoiadores.

“A partir de 1º de janeiro de 2023 vou governar para 215 milhões de brasileiros, e não apenas para aqueles que votaram em mim. Não existem dois Brasis. Somo um único país, um único povo, uma grande nação”, disse o presidente eleito.

Os desafios, contudo, serão gigantescos diante de uma nação cuja parte do eleitorado votou baseado em desinformação.

“Não interessa a ninguém viver numa família onde reina a discórdia. É hora de reunir de novo as famílias, refazer os laços de amizade rompidos pela propagação criminosa do ódio. A ninguém interessa viver num país dividido, em permanente estado de guerra”, afirmou Lula.

E completou: “Este país precisa de paz e de união. Esse povo não quer mais brigar. Esse povo está cansado de enxergar no outro um inimigo a ser temido ou destruído”.