11 de julho de 2026
São José

Durante manifestação no DCTA, em São José, manifestantes pedem 'intervenção federal'

Por Gabriel Campoy | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Gabriel Campoy / OVALE
Protestos em São José

Uma multidão de bolsonaristas segue em frente ao DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeronáutica) em São José dos Campos, protestando contra a eleição do agora presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e em favor de pautas antidemocráticas, como “intervenção federal” e “fechamento do congresso”.

A manifestação, que se iniciou como uma paralisação geral dos caminhoneiros em diversas regiões do país, ganhou a adesão de partidários do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) que começaram a encher ruas e rodovias com bandeiras do Brasil e camisas da seleção brasileiro em protesto. Em São José dos Campos, além do DCTA, trechos na Rodovia Presidente Dutra também contaram com uma grande aglomeração de bolsonaristas.

A reportagem de OVALE esteve no local e falou com alguns manifestantes presentes no ato. Em grande parte, o tom da conversa segue a narrativa apresentada pelos caminhoneiros bolsonaristas paralisados. “Intervenção federal”, uma equivocada interpretação do artigo 142 da Constituição Federal e um eventual “período de 72h” para Bolsonaro se manter em silêncio até apresentas as “evidências de fraude nas urnas”.

O artigo 142, citado pelos bolsonaristas, descreve na Constituição o papel das Forças Armadas no Estado Democrático de Direito. Contudo, ele não prevê nenhum tipo de uso das forças por um poder para interferência em outro. Pelo contrário, estímulo ou apologia à ditadura militar é proibida pela Constituição e configura-se como prática golpista.

Além disso, entre os bolsonaristas que estão na rotatória do DCTA, é possível observar muitos com carros estacionados de forma irregular na saída para a marginal da Rodovia Presidente Dutra. O trânsito no local também vem sendo prejudicado, já que em decorrência do alto número de manifestantes nas ruas, o fluxo é lento.

A reportagem também falou com policiais militares que acompanham a movimentação de perto. Um deles, questionado sobre a diferença dos atos para a paralisação realizada pelos caminhoneiros, afirmou que o protesto não impede a passagem de nenhum carro pelo local.

“A manifestação é pacífica e o trânsito, mesmo lento, transcorre de forma normal. O protesto é algo previsto pela Constituição Federal. Em caso de bloqueio de alguma via pública, a Polícia Militar está orientada a fazer a desobstrução”, disse o policial.

PROTESTOS

Em outras regiões da RMVale foram registrados protestos com pautas semelhantes. Na entrada do Cavex, em Taubaté, há centenas de manifestantes bolsonaristas se reuniram pedindo intervenção federal. O que fez, inclusive, o trânsito nas ruas da região ficar congestionado por conta do grande número de pessoas.

O mesmo aconteceu em Guaratinguetá, onde uma enorme faixa estendida pede ‘intervenção federal’, outro ato inconstitucional. As faixas pertencem a produtores rurais da cidade.

Já em Pindamonhangaba, em frente ao Batalhão Borba Gato, e em Lorena, em frente 5º BIL (Batalhão de Infantaria Leve), também houve registros de protestos.