11 de julho de 2026
JACAREÍ

Bolsonaristas pedem golpe e dizem que só vão liberar Dutra se 'Forças Armadas assumirem'

Por Gabriel Campoy | Jacareí | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Paralisação de caminhoneiros em Jacareí

Os caminhoneiros bolsonaristas que interditam a Rodovia Presidente Dutra, no trecho de Jacareí, afirmam que apenas um golpe em que as Forças Armadas assumam o poder no Brasil fará com que os bloqueios sejam desfeitos. Eles dizem “não aceitar” a vitória nas urnas do agora presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva

Alguns deles vão mais além. Afirmam que o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) fará nas próximas horas um pronunciamento para “comprovar fraude nas urnas”. As medidas reivindicadas pelos profissionais, além dos pedidos de intervenção militar, são, obviamente, inconstitucionais e antidemocráticas.

Um dos caminhoneiros envolvidos no protesto falou com a reportagem de OVALE e afirmou que o protesto se manterá por mais 72h permitindo que carros passem, mas que depois disso “tudo será fechado”. Ele ainda destacou que os caminhões só sairão do lugar com “o acionamento do artigo 142”, em referência a uma teoria da conspiração que vem rodando em grupos de WhatsApp bolsonaristas.

“Nós não vamos sair daqui. Houve fraude nas eleições. Se nós tivéssemos perdidos de forma justa, tudo bem, mas não foi o que houve. Queremos a intervenção das forças armadas. Só sairemos daqui quando o presidente Jair Bolsonaro acionar o artigo 142 e depor todos os ministros do STF”, disse.

O artigo 142 da Constituição Federal, descreve o funcionamento das Forças Armadas no Brasil, mas, diferente do citado pelo carreteiro, não autoriza qualquer poder a convocá-lo com forma de intervir em outro.

“As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”, diz o artigo.

CONCENTRAÇÃO

Em um ponto mais à frente na rodovia, perto do supermercado Atacadão, no km. 161, uma grande quantidade de apoiadores do presidente derrotado se aglomera sobre uma ponte com uma enorme faixa verde e amarela estendida.

Já nas vias marginais da rodovia, é possível encontrar carros tocando músicas com citação a Bolsonaro, além de homens e mulheres com camisas da seleção brasileira e bandeiras do Brasil.

A reportagem de OVALE esteve presencialmente no local e ouviu de um dos que “o problema é perder para Lula”, dando a entender que em caso de derrota para qualquer outro oponente, a situação seria digerida de forma melhor.

“O problema é o Lula. O cara é condenado, foi provado que é ladrão e ainda deixam concorrer? Nós aceitaríamos de boa se fosse de qualquer outra forma, dessa não. Não aceitamos perder para um cara que estava na cadeia”, diz o manifestante que, mesmo admitindo ser bolsonarista, não quis se identificar.

Em abril de 2021, o STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou a decisão tomada pelo ministro Edson Fachin e anulou as duas condenações sofridas por Lula na 13ª Vara Federal de Curitiba, nos casos do Triplex do Guarujá e do Sítio de Atibaia, ambos processos da Operação Lava-Jato. Com isso, o petista recuperou seus direitos políticos e tornou-se elegível para concorrer à presidência neste ano.