11 de julho de 2026
DEMOCRACIA

Ondas do golpe: campanha de Bolsonaro investe em narrativa de fraude em rádios

Por Xandu Alves | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Em coletiva no Palácio, Bolsonaro repete mantra de 'fraude nas eleições'

Nas ondas do golpe.

Desde que foi eleito, o presidente Jair Bolsonaro (PL) faz ações marcadamente de cunho eleitoral, visando sua própria reeleição.  Haja vista as dezenas de motociatas realizadas por todo o Brasil, com gastos públicos para eventos notoriamente de campanha.

Três episódios destacam-se no universo bolsonarista como tentativas de rupturas institucionais que permitiriam a Bolsonaro se manter no poder sem ter que disputar a eleição.

O primeiro foi em 7 de setembro de 2021, com discurso golpista nas manifestações em São Paulo. Sem adesão da população, contudo, o golpe fracassou e Bolsonaro foi obrigado a baixar o tom diante do STF (Supremo Tribunal Federal), principal alvo de seus ataques.

Mais recentemente, o ex-deputado federal, apoiador e amigo de Bolsonaro resolveu levar a sério as ideias do presidente. Armou-se de fuzil e granada e recebeu com mais de 50 tiros policiais federais que vinham prendê-lo.

Se fosse morto, o bolsonarismo teria o mártir que precisava para acusar o Judiciário de perseguição e romper com as instituições democráticas.

Na última semana, a derradeira tentativa de “melar” as eleições veio na forma de denúncia de suposta fraude na vinculação de propaganda eleitoral de Bolsonaro em rádios pelo Brasil.

A campanha do presidente chegou a apontar que mais de 154 mil inserções teriam deixado de ser divulgadas em rádios, favorecendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Bolsonaro entregou uma denúncia que listava oito rádios que teriam omitido 730 inserções do candidato à reeleição. As oito emissoras negaram a suposta irregularidade e duas delas ainda apontaram que a falha foi da própria campanha de Bolsonaro, em não enviar as inserções.

Presidente do TSE, o ministro Alexandre de Moraes negou o prosseguimento da denúncia por falta de provas. Disse ele: “Se o partido não mandar [inserções de rádio], não há o que disponibilizar. Aos partidos políticos compete fiscalizar uma por uma as inserções. Uma vez verificado a não inserção, o partido aciona o TSE indicando, comprovadamente, qual a emissora, o dia e horário em que a inserção não foi feita”.

O caso tornou-se mantra nas redes bolsonaristas com o discurso de que a eleição estaria comprometida. Defende-se até o adiamento do pleito. A narrativa abre caminho para um eventual terceiro turno, em caso de derrota de Bolsonaro, que não aceitaria o resultado das urnas eletrônicas no segundo turno.

“Estamos diante de uma opção entre a civilidade e a barbárie, o obscurantismo e o autoritarismo”, disse Lilia Schwarcz, antropóloga e historiadora.