Defensor de três das quatro vítimas que morreram atropeladas em São José dos Campos em 2017, o advogado Cristiano Joukhadar criticou os “reiterados recursos e pedidos de adiamento” feitos pela defesa do acusado como forma de “fugir da possível responsabilização no julgamento”.
“Ainda que a defesa exerça seu regular direito de defesa, vemos a reiteração de recursos e pedidos de adiamento como uma forma de fugir a possível responsabilização no julgamento”, afirmou o defensor.
“Apesar de o réu estar preso, pretende ele, quando do seu futuro julgamento, se beneficiar da alegação de morosidade da justiça e de que já ‘pagou’ pelo crime sem ter sido julgado.”
Mateus de Jesus Souza, 24 anos, pode ir a júri popular em São José por ter atropelado e matado quatro pessoas na cidade. O crime ocorreu na rodovia Geraldo Scavone (SP-66), na madrugada do dia 7 de setembro de 2017.
O atropelamento ocorreu depois que um carro bateu em uma moto e o motociclista ficou deitado no asfalto, esperando socorro. Ele foi rodeado por um grupo que passava pelo local. Todos os quatro foram atropelados pela picape dirigida em alta velocidade por Souza, que fugiu sem prestar socorro.
Morreram Bianca Magalhães Pereira, 18 anos, Moisés de Queirós Mathias, 25 anos, Lucas Mario Carvalho Vieira, 22 anos e Guilherme Augusto Oliveira, 29 anos.
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JULGAMENTO
Após fugir da Justiça por um ano, Souza foi preso em fevereiro de 2019, em São Paulo. Desde então, ele permanece preso.
OVALE apurou que a Justiça já fez a pronúncia de Souza, que pode ir a julgamento no plenário do júri de São José. Ele é acusado de homicídio qualificado, com o agravante de não ter permitido a defesa das vítimas. Ele pode ser condenado a 30 anos de prisão.
No final de setembro deste ano, a defesa de Souza entrou com um embargo infringente para revisar a acusação para homicídio simples. O recurso aguarda análise.
Já entre as famílias das vítimas, a expectativa é que Souza seja julgado pelo Tribunal do Júri e responda pela acusação mais severa.
“Os familiares das vítimas aguardam o julgamento popular perante o Tribunal do Júri para que seja feita justiça e encerrar este terrível ciclo de sofrimento”, disse Joukhadar. “A assistência da acusação discorda destes argumentos e sustentará a condenação do acusado pela prática de quatro homicídios qualificados”.