Brasil na lupa.
O segundo turno da eleição para presidente da República terá como um dos desdobramentos a definição da posição que o Brasil terá nos próximos anos no cenário internacional.
Neste xadrez geopolítico internacional, nações e líderes globais aguardam a definição de quem será o mandatário brasileiro para estabelecer suas “jogadas”, que podem beneficiar ou não o Brasil.
O fato é que o país caiu de conceito no mundo sob o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), especialmente na questão ambiental e de relações internacionais.
Com exceção de nações em que a extrema-direita governa ou vem ganhando mais poder, como Hungria, Turquia e Polônia, Bolsonaro não tem aliados em países democráticos e de relevância mundial.
A tendência de crescimento da extrema direita atingiu a Itália, por exemplo, com a vitória de coalizão extremista nas recentes eleições. Giorgia Meloni, líder do partido Irmãos da Itália, se torna primeira-ministra.
Não à toa, o slogan dela foi ‘Deus, pátria e família’ e a campanha baseou-se na rejeição à União Europeia e nas políticas anti-imigração, além de propor a redução dos direitos da comunidade LGBTQ e de acesso ao aborto.
Pautas semelhantes defende Bolsonaro, que tenta a reeleição contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em artigo para o Jornal da USP, o jurista e professor Pedro Dallari, que foi coordenador e relator da Comissão Nacional da Verdade, disse que o Brasil irá trilhar “caminhos bem distintos” dependendo do resultado da eleição.
“A ênfase no multilateralismo e na defesa de princípios dos direitos humanos tornou o Brasil extremamente respeitado no mundo”, afirmou.
No entanto, essa postura mudou com o atual governo abandonando o multilateralismo, se isolando e passando a adotar uma posição mais ideológica.
“Portanto, são duas visões de política externa extremamente diferentes: a do ex-presidente Lula e a de Bolsonaro. A reeleição dele significará a manutenção de uma política externa isolacionista e baseada no confronto com os países com governos de posições ideológicas divergentes”, completou Dallari.