A definição de polarização no dicionário é e perfeita: “Modificação dos raios luminosos, pela qual, depois de refletidos ou refratados, já não podem refletir-se ou refratar-se novamente em certas direções”.
Ou seja, polarizar é perder. Perde-se o caminho que deveria servir para ir e voltar. Perde-se a ideia que deveria iluminar. Perde-se um país que deveria se reconciliar.
O Brasil está dividido. A política brasileira está de coração partido.
Há familiares que não mais se falam, amizades desfeitas e casamentos arruinados pela polarização política. Nunca se viu tanto apego a políticos como agora. Ao invés de servir ao público, os políticos alimentam a divisão para se servirem dela.
Perdemos todos.
A divisão entre ‘nós e eles’ foi determinante na eleição presidencial deste ano, o que contaminou todas as outras disputas, especialmente ao governo do estado de São Paulo.
Nacionalizada, a eleição paulista no primeiro turno catapultou o ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) para a liderança do pleito, quando antes aparecia atrás do também ex-ministro Fernando Haddad (PT).
O governador Rodrigo Garcia (PSDB) ficou para trás e viu parte do seu eleitorado migrar para Tarcísio, antecipando o voto útil do segundo para o primeiro turno e tirando o tucano da disputa.
Os dois ex-ministros vão disputar o Palácio dos Bandeirantes no segundo turno, numa outra eleição que promete ser ainda mais polarizada do que a primeira.
No plano federal, o presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta voltar ao comando do país, protagonizam uma das disputas mais acirradas desde a redemocratização.
E quem vê de fora essa polarização se assusta ainda mais com o grau de violência que ela engendra atualmente, com pessoas se matando no país por causa de diferenças políticas.
Em entrevista à BBC Brasil, o professor norte-americano Scott Mainwaring, que tem mais de 30 anos de experiência com política e eleições na América Latina, disse estar “espantado” com o que acompanha no Brasil.
“Não me lembro de nada parecido no país”, disse ele, citando o assassinato de Marcelo Arruda, um membro do PT morto a tiros por um apoiador de Bolsonaro.
Membro associado da Universidade de Harvard e professor de Ciências Políticas da Universidade de Notre Dame, Mainwaring disse que o Brasil, assim como os Estados Unidos, vive um ambiente de “ódio pessoal e polarização política”.
Para o especialista, a polarização no Brasil não vai desaparecer e os principais candidatos “precisam condenar atos de violência”.
“Você não pode reduzir a zero a possibilidade de um cara desequilibrado atacar a outra pessoa. Mas a mensagem das lideranças é muito importante”, afirmou.