Uma família do Jardim Icaraí, em Campinas, passou por momentos de desespero durante a tarde desta terça-feira, 27. No instante em que todos iriam se despedir do seu patriarca, Guilherme Manoel Teixeira, de 95 anos, no Cemitério Parque das Flores, uma triste surpresa. Ao abrir o caixão para o velório, descobriram que o corpo não era o de Guilherme. “Era um homem totalmente diferente. Meu pai era negro e o homem, branco, muito branco, e tinha no máximo uns 70 anos”, contou a filha dele, a enfermeira Vera Lúcia Araújo. Ela procurou a Polícia Civil e registrou um boletim de ocorrência.
Segundo Vera, seu pai morreu de causas naturais em casa na noite desta segunda-feira, 26. Na manhã de terça, um irmão mais novo de Vera foi organizar os últimas detalhes do sepultamento e velório na Setec (Serviços Técnicos Gerais). Foi quando as coisas começaram a se complicar. “Meu irmão queria reconhecer o corpo na Setec, mas não deixaram ele ver nosso pai. Eu nunca tinha visto isso. Daí deixamos as roupas com as quais meu pai seria velado e viemos para o velório”, contou a enfermeira.
Depois que saíram da Setec, Vera e os familiares foram até o Cemitério, onde ocorreria o velório que, segundo ela, estava marcado para começar às 14h. Houve um pequeno atraso.
“Eles chegaram por volta das 14h15, mas quando abriram o caixão descobrimos que não era meu pai. Era um homem totalmente diferente. Meu pai era negro e o homem branco, muito branco, e tinha no máximo uns 70 anos.” O drama não parou por aí. “Além disso, o corpo estava com as vestes do meu pai”, continuou a filha indignada. Era a roupa com que o pai tinha entrado com a filha em seu casamento.
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Revoltada, Vera procurou um funcionário para informar que o corpo não era de seu pai e que as roupas usadas no corpo eram as que ela escolheu para seu velório. "Me perguntaram se não era mesmo meu pai, se eu tinha certeza que era a roupa que tinha deixado na Setec. Como eu ia esquecer isso? É o terno que meu pai entrou comigo no meu casamento e na minha formatura. Era o terno que ele mais gostava. Eu quis tirar uma foto para provar, mas eles não deixaram”.
Após confirmar que quem estava no caixão não era Guilherme Teixeira, os funcionários da funerária retiraram o corpo da sala e, cerca de uma hora e meia depois, chegaram com o corpo de Guilherme.
“Eles chegaram por volta das 15h40. Eu não tive tempo para despedir do meu pai, porque o velório aqui é até as 16 horas. E se enterrassem meu pai errado? Eram duas famílias chorando por pessoas diferentes. É uma revolta muito grande e ninguém fala o que aconteceu. A Bom Pastor (Funerária) acusa a Setec e a Setec a Bom Pastor. Estou revoltada”.
A sequência de erros que cercou o velório impressiona. Além do erro do corpo, Vera conta que o papel para a autorização do sepultamento no Parque das Flores, também estava com o nome errado. Em vez do nome de Guilherme Manoel Teixeira, era o nome do filho dele, irmão de Vera.
Depois de todo o transtorno e muita briga de Vera e seus familiares, Guilherme foi velado por cerca de 40 minutos e, em seguida, foi sepultado. Os familiares procuraram a Polícia Civil em seguida para registrar um boletim de ocorrência.
Procurada, a Funerária Bom Pastor negou qualquer problema durante o velório e disse que seu serviço era apenas “no preparo da sala”. Também disse que toda preparação de corpos é feita sempre pela Setec.
Até o fechamento desta reportagem, a Setec não respondeu às perguntas da reportagem, bem como o Setor de Comunicação da Prefeitura Municipal de Campinas.
Colaborou: Paulo Bernardino