10 de julho de 2026
'MÃO DE DEUS'

Amor da tragédia: jovem perde o marido em acidente e se apaixona pelo melhor amigo dele

Por Heloisa Taveira, Sampi Campinas/Especial para OVALE |
| Tempo de leitura: 4 min
Amor da tragédia: jovem perde o marido em acidente e se apaixona pelo melhor amigo dele

De uma hora para a outra os planos de uma vida inteira podem, simplesmente, ir por água abaixo. Foi o que aconteceu com Fernanda Gomes, de 38 anos: a cosmopolense vivia com o marido, Rodrigo Veronesi, a filha de 1 ano e estava grávida de 6 meses de outra menina, quando um acidente de trânsito mudou a vida da família.

Foi em 21 de fevereiro de 2014, quando Rodrigo saiu de casa para se encontrar com os amigos. Era o seu último dia de trabalho depois de um mês intenso – logo, ele entraria de férias. Neste dia, Fernanda ainda pediu para que o marido ficasse. “Pedi para que ele chamasse os amigos para nossa casa ao invés dele ir ao encontro deles, mas ele quis ir. Perguntei se ele ia demorar, ele disse: ‘eu não demoro, mas eu não volto logo’”.

Ao voltar para casa, Rodrigo se envolveu em um acidente. Segundo os relatos, ele, que dirigia um Fusion e não usava o cinto de segurança, bateu na traseira de um caminhão de lixo na rodovia. Foi constatado que o veículo estava em alta velocidade e Rodrigo morreu na hora.

“Foi passando o tempo, até que deu mais de meia noite e eu liguei para ele. Quando liguei, uma voz atendeu. Pensei que fosse um dos amigos e pedi para falar com o Rodrigo, mas a pessoa que atendeu perguntou o que eu era dele. Disse que eu era esposa e falaram que era do resgate, que ele tinha sofrido um acidente e que foi encaminhado ao hospital. Minha perna amoleceu na hora”, relembra Fernanda.

O melhor amigo

Matheus Peretti, melhor amigo de Rodrigo, também voltava para casa naquele dia e, coincidentemente, passou pela mesma rodovia. Eles não estavam juntos antes do acidente, mas ao ver a movimentação e o carro parecido com o de seu amigo, resolveu parar. Quando perguntou o nome da vítima, soube na hora que era o Rodrigo.

“Ele foi na casa de um dos familiares do Rodrigo para avisar que ele tinha sofrido o acidente. Não sabia como iria contar para mim, que estava grávida, mas eu já tinha ligado no celular dele. Só não sabia que ele tinha falecido”, disse a mulher.

A aproximação

O luto foi devastador para toda a família e para os amigos. Em especial, para Fernanda. Além de perder o marido, teve que voltar para a casa da mãe, já que não dirigia e isso dificultaria no cuidado da filha pequena e do bebê, que ainda iria nascer. Matheus foi peça fundamental na reestruturação da família.

“Quando eu precisava de alguma coisa, todo mundo falava para ver com o Matheus, porque ele realmente era muito amigo do Rodrigo e estava disposto a ajudar. Me fechei bastante, conversei com poucas pessoas e aí fui me aproximando dele, foi muito rápido. Percebi que estava sentindo alguma coisa por ele, e falei. Ele disse que também estava”, falou Fernanda. “Mas era um mix de sentimentos... Ficava pensando que era o melhor amigo, que era uma coisa estranha, mas ao mesmo tempo pensava que o Rodrigo não voltaria mais, então o Matheus teve que ter muita paciência comigo, porque eram muitos altos e baixos”.

No início, as famílias também estranharam, mas todas elas eram muito próximas e os apoiaram. Meses depois, os dois iniciaram um relacionamento e foram morar juntos. Matheus abraçou, com muito carinho, o papel de pai das duas meninas e anos depois tiveram o Gabriel, que hoje tem 5 anos.

“Passamos pelo luto juntos, e ele sempre foi muito compreensível. O que eu acho muito bonito é que ele, desde o começo, assumiu que era pai das meninas, porque ele criou, educou, de coração muito aberto. A referência de pai para elas é ele, então eu vejo mesmo a mão de Deus nessa história. Eu falo para o Matheus, tudo estava escrito e a gente nem sabia.”

Os dois fazem questão de manter a memória de Rodrigo viva, especialmente para as meninas. Sempre assistem vídeos, relembram histórias e mostram fotos. Apesar de nunca terem ido ao cemitério, o próprio Matheus faz questão de levá-las, no momento certo, para visitarem o pai.

Hoje, a família continua vivendo em Cosmópolis, com os filhos: além de Gabriel, de 5, a Eduarda, de 9 anos e a Lívia, de 8 anos. Fernanda é pedagoga, mas não exerce a profissão desde que se tornou mãe. Na pandemia, descobriu uma paixão: a confecção de peças em feltro. Matheus é empresário no setor de eventos na cidade.