A educação ameaçada.
Além dos impactos sanitários da pandemia do novo coronavírus, o Brasil terá de lidar com “enorme retrocesso educacional” no futuro. Essa é a avaliação do o diretor da FGV Social, o economista e professor Marcelo Neri.
Durante apresentação no 10º Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, no começo de setembro, Neri apresentou dados sobre as consequências da pandemia na educação no Brasil.
Segundo o especialista, houve uma redução de 40% no tempo médio de estudo dos jovens e crianças brasileiros, piorando uma situação que vinha em queda por quatro décadas seguidas.
O grupo que mais retrocedeu foi o das crianças mais pobres e novas (5 a 9 anos), fase crucial para o desenvolvimento do ponto de vista educacional e intelectual de uma pessoa. De acordo com Neri, o impacto do retrocesso educacional deve ser de longo prazo.
Segundo Neri, normalmente a baixa adesão tem a ver também com pouca demanda ou falta de interesse. Mas na pandemia o impacto resultou da não oferta do básico, em termos de condições para estudar, já que a principal causa para a evasão foi a falta de material ou estrutura para o aprendizado remoto. O impacto foi maior em classes sociais mais baixas.
O problema não atingiu apenas as escolas públicas, mas também a rede privada. De acordo com o Censo Escolar 2021, o número de estudantes matriculados em escolas particulares no Brasil caiu 10%. É quase um milhão de estudantes a menos entre 2019 e 2021.
“O empobrecimento das famílias, principalmente neste caso o da classe média, impacta diretamente nos diversos tipos de serviço, e no serviço de educação isso é bastante significativo”, disse Fausto Augusto Junior, diretor-técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
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FOME
Estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar mostra que 3 em cada 10 famílias brasileiras tiveram dificuldades para comprar alimentos e tiveram que reduzir a quantidade de algum item, sofrendo insegurança alimentar moderada ou grave.
Considerando também a insegurança leve, são 125,2 milhões de pessoas com preocupação sobre a disponibilidade de alimentos, com algum grau de indisponibilidade dos mesmos ou passando fome – seis em cada dez famílias brasileiras.