11 de julho de 2026
Meio Ambiente

Amazônia teve aumento de 122% nas emissões de carbono em 2020, aponta novo estudo do Inpe

Por Thais Perez |
| Tempo de leitura: 2 min
Incêndio na Amazônia

Uma pesquisa realizada por pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mostra que a emissão de carbono da floresta Amazônica aumentou em 122% em 2020. A comparação foi feita com base nos índices de 2010 e 2018, que já havia sido considerados preocupantes pelo grupo de estudos. A pesquisa foi publicada na revista Nature no último dia 1º de setembro.

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A pesquisa feita pelo grupo liderado pela cientista Luciana Gatti, do Inpe, traça um paralelo entre as perda de políticas de controle do desmatamento e o grande aumento do desmatamento na Amazônia.

Entre os parâmetros analisados, estão o desmatamento, focos de queimada e área queimada, precipitação e temperatura, além das aplicações de multas por crime ambiental e efetiva punição.

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Os resultados deste estudo mostram um cenário mais alarmante que o anterior, que já havia observado que, na região sudeste da Amazônia, a própria floresta passou a ser uma fonte de carbono, ou seja, a mortalidade na floresta é maior que seu crescimento.

Segundo a pesquisa, houve um aumento das emissões de carbono de 89% em 2019 e 122% em 2020 em relação a média de 2010 a 2018. "As emissões de carbono da Amazônia foram comparáveis aos anos de extremo El Niño, mas sem extremos climáticos", explica a Luciana, referindo-se fenômeno natural que provoca o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tropical, o que resulta no aumento de temperatura na Amazônia.

"Nenhuma condição extrema climática explica este aumento nas emissões", completa. A outra má noticia é que a pesquisa observou um estresse climático não apenas na estação seca, mas também perda de chuva na estação chuvosa, acompanhada de aumento de temperatura generalizado na Amazônia.

CAUSAS

No ano de 2020, houve uma redução de 54% de aplicação de multas, enquanto as multas pagas diminuiram em 89%. "Os números mostram que há um aumento da sensação de impunidade para o crime ambiental", explica Luciana. "Isso tudo está causando um dano de décadas", completa a cientista.

CONSEQUÊNCIAS

A pesquisadora afirma que, na prática, os apontamentos podem observados no aumento de número de eventos extremos no país, como enchentes, tempestades de areia e grande aumento da temperatura. "A floresta funciona como uma proteção dessas mudanças climáticas e não a causa. Ela é uma fábrica de chuva, que resfria a temperatura, mas ela passa a ser um acelerador das mudanças climáticas", explica.