As eleições de 2022 se transformaram num ensaio para 2024 no Vale do Paraíba, com jogo de forças e movimentação do tabuleiro político visando influenciar as eleições daqui a dois anos.
Muitos dos atuais 157 candidatos que concorrem na região a deputado estadual e federal estão de olho nas eleições municipais de 2024, que será impactada pelas novas correlações de força na política estadual e federal.
Historicamente, as eleições gerais se transformam em preparação para o pleito municipal, quando serão eleitos prefeitos e vereadores.
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De acordo com as mais recentes pesquisas eleitorais, o PT é o partido que lidera as intenções de voto para o governo de São Paulo e a Presidência da República.
Se a legenda confirmar e vencer nos dois cargos majoritários mais importantes do país, a política no Vale deve sofrer um impacto significativo na região.
ELEIÇÕES DE 2018
Nas últimas eleições municipais, em 2018, o PT não venceu em nenhuma prefeitura da região, ao contrário do PSDB (15 cidades) e PL (9), os maiores vencedores do pleito.
Em eventual derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador Rodrigo Garcia (PSDB), os dois partidos devem ter uma influência política reduzida na região.
Em Taubaté, por exemplo, o PSDB está de olho na retomada da prefeitura da cidade, e um dos nomes mais cotados é do ex-prefeito Ortiz Junior, candidato a deputado estadual.
Ele enfrenta concorrência de ao menos 10 candidatos ao mesmo cargo apenas em Taubaté. No geral, a RMVale tem 89 postulantes a deputado estadual.
O mesmo ocorre em São José dos Campos, cidade que perdeu a liderança do PSDB depois das gestões de Emanuel Fernandes, Eduardo Cury e Felicio Ramuth, prefeito que renunciou ao cargo em abril deste ano e migrou para o PSD, mesmo caminho do vice-prefeito Anderson Farias.
Com isso, é grande a possibilidade de Eduardo Cury voltar a concorrer pelo cargo de prefeito de São José em 2024. Para tanto, é fundamental que seja reeleito deputado federal neste ano.
REPRESENTATIVIDADE
O próprio Cury disse a OVALE que o grande número de candidatos no Vale – 157 nestas eleições – vai diminuir a chance de a região eleger representantes no parlamento.
“Muitos candidatos estão de olho nas próximas eleições e saem para fazer o nome agora, o que dilui os votos e torna mais difícil a região eleger mais representantes”, afirmou o deputado.
Prefeito de Jacareí, Izaias Santana (PSDB) concorda com a tese de que o número alto de candidatos diminui a chance de a região ampliar a sua representatividade. Para ele, o motivo é a viabilidade eleitoral, que não é a mesma para todos os postulantes. “Não basta o candidato ser do Vale, tem que ter a candidatura viável”.
Para ser eleito deputado estadual, nas contas de Izaias, o candidato do Vale vai precisar de ao menos 50 mil votos. Na esfera federal o piso sobe para 70 mil votos.
“Essa densidade eleitoral é essencial. É preciso ter liderança política, participação em outras eleições e ser votado ou ter apoio de grupos ou movimento da sociedade que aumentem o volume de votos”, afirmou o prefeito de Jacareí.
“Se não tiver, o candidato cumpre dois papéis: ajudar o partido ou testar o nome para as eleições municipais, o que é um desserviço ao Vale.”
Izaias chama de “vícios do sistema político” a atitude de lançar candidatos agora pensando em fazer nome para as eleições municipais ou ainda de partidos e políticos que incentivam candidaturas sem qualquer viabilidade eleitoral para minar a chance de adversários serem eleitos.
“Tem gente interessada apenas na própria candidatura no futuro. Há muita mesquinhez e ausência de conscientização. O varejo não pode prevalecer sobre o global, o interesse da região.”
CAMPANHA
Para incentivar o voto regional, OVALE lançou em parceria com a ACI (Associação Comercial e Industrial) de São José e a Band Vale a campanha ‘Voto que Vale’, que visa fortalecer a representatividade política da região.
Apoiam o movimento o Next7, a Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba), o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e Aorta Comunicação.