Levantamento da Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo aponta média de 164 registros de crimes e contravenções que teriam sido cometidos por policiais no Vale do Paraíba, considerando os 10 anos entre 2012 e 2021.
Neste período, foram computados pela Ouvidoria 1.641 registros de crimes e contravenções que teriam sido praticados por membros das polícias Militar, Civil e Técnico-Científica na região.
A lista engloba 22 tipos de ocorrências, entre elas corrupção, homicídio e morte em decorrência de intervenção policial – nas mortes em intervenção, os casos são investigados pela SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública).
Entre as ocorrências com maior número de registros nos 10 anos, aparecem abuso de autoridade (262), morte em decorrência de intervenção policial (213), abordagem abusiva (173), comunicação de crime (165), corrupção passiva (155), prevaricação (126) e homicídio (125) – este inclui o registro de homicídio de autoria desconhecida.
Também chamam a atenção os registros de policiais envolvidos com o tráfico de drogas (100) e
De acordo com os dados da Ouvidoria, os registros anuais têm oscilado na RMVale desde 2012, tendo chegado ao maior número em 2016, com 216 ocorrências registradas. O valor mais baixo ocorreu em 2017, com 99 registros.
Desde então, os números subiram nos dois anos seguintes – 124 e 163, em 2018 e 2019 –, caíram em 2020 (114) e voltaram a subir no ano passado (128).
Com relação às reclamações de problemas administrativos, a Ouvidoria registra 2.029 ocorrências no Vale em 10 anos, média de 202 por ano.
Entram na lista itens como má qualidade no atendimento, transgressão disciplinar, pedido de policiamento e morosidade no andamento de Polícia Judiciária.
“A Ouvidoria tem procurado se interiorizar e diversificar os canais para acesso da sociedade aos sistemas de registro, além de acompanhar e tomar providências em relação às ocorrências e denúncias que eventualmente não chegam a ela diretamente, mas são divulgadas nas redes sociais ou na grande mídia. Essas ações, certamente, irão se refletir em futuros relatórios”, disse o advogado criminalista Elizeu Soares Lopes, ouvidor das polícias paulistas.