10 de julho de 2026
Previdência

Nos primeiros cinco meses da atual gestão, calote no IPSM já é de R$ 87,58 milhões

Por Julio Codazzi |
| Tempo de leitura: 3 min
Fachada do IPSM (Instituto de Previdência do Servidor Municipal) de São José dos Campos

Apenas nos cinco primeiros meses de gestão, o governo Anderson Farias (PSD) deixou de repassar R$ 87,588 milhões em aportes para o IPSM (Instituto de Previdência do Servidor Municipal) de São José dos Campos.

O levantamento foi feito pela reportagem com base nos balancetes publicados pelo instituto referentes aos meses de abril a agosto – o atual prefeito assumiu o cargo no começo de abril, no lugar do ex-prefeito Felicio Ramuth (PSD), que havia iniciado o calote no instituto em janeiro de 2021.

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Em abril, a Prefeitura deveria ter feito aporte de R$ 24,98 milhões ao IPSM, mas não transferiu nenhuma quantia. Em maio, o aporte devido era de R$ 23,221 milhões, mas apenas R$ 6,737 milhões foram repassados. Em junho, o aporte necessário era de R$ 27,916 milhões, mas novamente não foi feito nenhum repasse. Em julho, o aporte deveria ter sido de R$ 3,561 milhões, mas não foi feito. Em agosto, o valor devido era de R$ 14,664 milhões, mas não houve repasse.

Entre janeiro do ano passado e março desse ano, o governo Felicio havia deixado de repassar R$ 209,6 milhões para o IPSM. A Prefeitura tenta parcelar em 20 anos o valor referente ao período de janeiro a outubro de 2021 (R$ 151,2 milhões, que atualizados chegam a R$ 165,9 milhões).

Pelo balancete de agosto, a dívida total da Prefeitura com o instituto está em R$ 302,192 milhões. Mesmo descontando o valor que o município tenta parcelar em 240 vezes, ainda sobrariam pelo menos R$ 136,246 milhões.

APORTES.
Pela legislação municipal, o aporte é devido quando as despesas do IPSM ultrapassam as receitas. Esse cálculo é feito mês a mês – se a despesa é maior, a Prefeitura precisa completar a diferença.

Em outubro de 2017, o governo Felicio criou uma regra que visava reduzir a necessidade dos aportes. Por essa lei, ainda em vigor, pode-se deduzir do aporte o excedente financeiro (tudo que o IPSM obtiver além da meta com suas aplicações de recursos) ou dois terços do total de rendimentos (correção monetária e juros das aplicações do instituto).

Nos primeiros anos seguintes à mudança, isso foi suficiente para eliminar a necessidade de aportes. Desde 2021, no entanto, essa conta deixou de fechar sozinha.

PATRIMÔNIO.
De janeiro a agosto de 2022, a receita média mensal do IPSM foi de R$ 15,4 milhões. Já a despesa média ficou em R$ 49,1 milhões. Ou seja, o déficit mensal é de R$ 33,6 milhões, em média.

Desde outubro de 2017, quando entrou em vigor a lei de Felicio, um total de R$ 1,24 bilhão referente ao excedente financeiro ou a dois terços do total de rendimentos do IPSM já foi utilizado para abater dos aportes que a Prefeitura deveria ter feito ao instituto.

Nesse mesmo período, o patrimônio do órgão, que é uma espécie de poupança do IPSM, caiu de R$ 2,14 bilhões para R$ 1,54 bilhão, uma queda de R$ 597 milhões, equivalente a 27,9%.

Pelo último estudo, feito esse ano, o déficit atuarial do instituto (projeção para 35 anos) é de R$ 8 bilhões.

PREFEITURA.
Questionado pela reportagem, o governo Anderson não explicou por qual motivo não tem feito os aportes mensais ao IPSM. Também não respondeu quando deverá quitar os valores devidos ao instituto.

Em nota a OVALE, a Prefeitura alegou que o déficit mensal do órgão, além da “crise financeira da Covid-19”, é o “principal causador da diminuição do patrimônio do Instituto”.

Sem detalhar nenhuma ação, o governo Anderson alegou que “estuda medidas para mitigar e conter o déficit, que diminui a capacidade que o instituto tem para honrar os seus compromissos”.

A Prefeitura alegou ainda que, em julho, “em decorrência de mudanças na política de investimentos, o IPSM conseguiu reduzir drasticamente a necessidade de aportes”, e que em setembro fez aporte de R$ 17,5 milhões para o instituto.