Para a cientista social Suzeley Kalil, professora da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e pesquisadora do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional, o episódio das Forças Armadas reivindicando papel de fiscalizadoras do processo eleitoral é um “teatro do absurdo”, revestido de ilegalidade e com evidente tentativa de ameaçar a democracia, segundo a especialista.
“Fica cada vez mais evidente a tentativa de atender os interesses do ‘Partido Militar’, que é o que tem feito [o presidente Jair] Bolsonaro”, disse ela.
Autora de livros como “A militarização da burocracia”, Suzeley vê com preocupação a presença de militares em áreas que não deveriam atuar.
“Há atribuições que são militares e aí é necessário que eles participem. Hoje, o Ministério da Defesa é totalmente aparelhado pelos militares, que têm muita ascensão no Congresso Nacional. Eles têm que verbalizar os interesses deles, mas têm que ter canais, tomando de assalto o governo ou criando um candidato como fizeram com o Bolsonaro. É uma ilusão achar que o Bolsonaro cooptou os militares. É o contrário”, afirmou Suzeley.
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