09 de julho de 2026
Eleições 2022

Pesquisador do Datafolha é agredido com socos e chutes no interior de SP

Por Gabriel Campoy |
| Tempo de leitura: 3 min
Homem que agrediu pesquisador do Datafolha

Um pesquisador do Instituto Datafolha foi agredido com socos e chutes  nesta quarta-feira (21), enquanto entrevistava um morador de Ariranha, município da região de São José do Rio Preto, a 378 km de São Paulo.

O agressor, um bolsonarista, se aproximou do profissional com gritos de "vagabundo" e "só pega Lula", e teria exigido que também fosse ouvido pelo entrevistador. Segundo o Grupo Folha, a hostilidade contra profissionais do instituto vem aumentando nas últimas semanas.

Ainda de acordo com o instituto, os pesquisadores recebem um treinamento padronizado, que determina a aleatoriedade das amostras, evitando pessoas que se ofereçam para serem entrevistadas.

As agressões teriam sido iniciadas após o entrevistador terminar os questionamentos. Atingido pelas costas, ele deixou o tablet usado para colher as respostas cair no momento do golpe. Logo em seguida, o filho do agressor também teria aparecido para intimidar o pesquisador.

Após os vizinhos interromperem a confusão, o homem teria entrado em sua casa e voltado com uma faca peixeira. No entanto, de acordo com populares, ele foi contido pelo filho.

Identificados, o agressor e o seu filho foram encaminhados à delegacia do município onde o caso foi registrado. Gilberto Cesar Costa, delegado da unidade, afirmou que as providências necessárias foram determinadas. Entretanto, o teor da investigação permanece sigiloso.

O pesquisador, atendido em um pronto-socorro do município após ser atingido na cabeça, nas costas e no braço, afirmou que irá buscar a punição dos responsáveis na Justiça. Já Luís Francisco Carvalho Filho, advogado do Grupo Folha, afirmou posteriormente que o caso "deverá resultar numa ação penal".

SÉRIE DE AGRESSÕES

O instituto afirma que relatos de agressões e intimidações vêm se tornando rotineiros. No último dia 13 de setembro, o Datafolha contabilizou cerca de dez ocorrências deste tipo em diferentes regiões do país.

Segundo o Grupo Folha, grande parte das pessoas que buscam intimidar os entrevistadores se declaram bolsonaristas ou citam o nome do presidente.

Em um desses casos registrados pelo instituto, no mês de agosto, em Belo Horizonte, quatro homens perseguiram uma entrevistadora enquanto a chamavam de "comunista" e "esquerdista". Ela correu e, na fuga, machucou os joelhos após cair no chão.

Já em outra ocasião, na cidade de Goiânia, um pesquisador foi empurrado por um homem que se identificava como bolsonarista e que disse não querer o instituto nas redondezas.

DESCRENÇA DE BOLSONARO

O presidente Jair Bolsonaro (PL), em segundo nas pesquisas de intenções de voto para a presidência da República, declara diariamente que não acredita nos institutos de pesquisa. Recentemente, em viagem a Londres e aos Estados Unidos, o chefe do executivo afirmou em diferentes oportunidades que vencerá as eleições no primeiro turno, contrariando as projeções.

No feriado de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, Bolsonaro atacou o Datafolha, chamando o instituto de mentiroso: "Nunca vi um mar tão grande aqui com essas cores verde e amarela. Aqui não tem a mentirosa Datafolha. Aqui é o nosso datapovo", afirmou.

A última pesquisa do instituto mostra o atual presidente ocm 33% das intenções de voto, contra 45% do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O Datafolha trabalha com uma metodologia específica para a realização de suas entrevistas. O instituto destaca que, em levantamentos nacionais e estaduais, são sorteados as cidades e, logo em seguida, os bairros e pontos que os questionamentos serão aplicados. Além disso, cotas proporcionais de sexo e idade, através de dados obtidos juntos ao IBGE e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também são usados.

O instituto ainda ressalta que não faz levantamentos eleitorais para governos ou políticos.