O caminho da liberdade.
O Vale do Paraíba foi a única região do Brasil a participar diretamente dos acontecimentos que culminaram com a separação do Reino do Brasil do Reino de Portugal, no dia 7 de setembro de 1822, na colina do Ipiranga, em São Paulo.
Estavam ali, naquela tarde história, os elementos valeparaibanos, testemunhas oculares do gesto de Dom Pedro 1º, decisivo para o processo final que desmembrava o Brasil de Portugal.
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É assim que o professor, intelectual e historiador José Luiz Pasin (1939-2008) narra a importância da região para o destino do Brasil, em seu livro “A jornada da Independência”.
Não é difícil entender os motivos que fizeram o Vale ter papel de destaque no momento crucial da formação do nosso país.
Primeiro pela questão econômica. A Inglaterra passava por uma revolução industrial e procurava expandir seus negócios além mar. A América Latina representava um potencial de consumo dessas mercadorias inglesas. Ou seja, havia uma forte pressão inglesa para cima de Portugal para transformar o Brasil em consumidor dos produtos britânicos.
“Com a Independência, o Brasil transitou do domínio português para a dependência da Inglaterra”, explica o professor Francisco Sodero, mestre em História, pesquisador, escritor e membro fundador e ex-presidente do IEV (Instituto de Estudos Valeparaibanos).
A vinda de Dom João 6º e da corte portuguesa para o Brasil em 1808 culminou na abertura do comércio para o exterior, alegrando os colonos brasileiros, mas diversas regras beneficiavam Portugal em detrimentos dos demais países, incluindo os brasileiros, o que trouxe insatisfação e instabilidade política por aqui.
“Há um acirramento das tensões entre brasileiros e portugueses. Dom João dá com uma mão e tira com a outra. É um momento tenso”, diz Maria Aparecida Papali, mestrado em História do Brasil, doutorado em História Social e professora e historiadora da Univap (Universidade do Vale do Paraíba).
Com um país eminentemente pobre, a escravidão fortíssima e colonos insatisfeitos, além da influência do iluminismo que já vinha se posicionando contra o absolutismo e pela liberação dos portos, o cenário no Brasil caminhava para a Independência, por bem ou por mal.
“Quando Dom João volta para Portugal é um complicador a mais, temia-se que o Brasil voltasse a ser só colônia. Porque o Brasil tinha se tornado reino unido. Começa a influência iluminista e o descontentamento dos colonos, que vai se agravando e está no auge. Dom Pedro fica como regente e Portugal quer que ele volte, e temos as insurreições e insatisfações dos colonos, é um contexto de agitação e insatisfação”, completa Papali.
Com isso, Dom Pedro 1º se vê na urgência de decretar a independência do Brasil contra os interesses dos seus próprios familiares do trono português. Para tanto, precisa angaria apoio dos ricos fazendeiros e produtos do Vale do Paraíba, e é justamente pela região que começa a jornada que culminará no grito da Independência.
“Dom Pedro precisou arregimentar apoio econômico e político à causa da independência. E o Vale do Paraíba era o lugar ideal para isto em face de ser uma das regiões mais ricas daquela época”, afirma o historiador e professor Diego Amaro.
CAMINHO
Dom Pedro 1º saiu da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, em 14 de agosto de 1822. Tinha uma comitiva de 30 homens. Cavalgam 72km e pernoitam ainda no Rio, na Real Fazenda de Santa Cruz. A segunda parada é na Fazenda da Olaria, na Vila de São Marcos, lugar que foi submerso pela represa de Lajes.
Em solo paulista, o futuro imperador visita o capitão Hilário Gomes de Almeida em suas terras, a então Fazenda Três Barras, em Bananal. O casarão ainda existe, apesar de ter passado por muitas reformas que o descaracterizaram.
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