08 de julho de 2026

Sopa no pão


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Use sobras de queijo para fazer o creme que preenche o pão italiano escavado

Nosso inverno é bem ameno, perto dos rigores desta estação no hemisfério norte. Mas acostumados a dez meses de sol, sentimos frio se os termômetros baixam um pouquinho aquém dos 20 graus. Então nos agasalhamos com roupas mais pesadas e buscamos nossas botas que depois voltarão aos armários onde permanecerão durante muitos meses.O cardápio também segue a regra e quem normalmente esquece a sopa em fevereiro, corre atrás dela em julho. Para aquecer o corpo e, algumas vezes, a alma, pois sopa é comida que pertence ao menu dos carinhos, dos bons afetos. Escaldados, purês, cremes, consomês e outras variações  são elaborações de consistência mole que não pedem esforço para serem mastigadas, trituradas, engolidas. É o líquido sabor que acaricia as papilas gustativas e olfativas enquanto elas mandam sua mensagem de conforto ao cérebro. Então, é isso, sopa é muitas vezes carinho. Para não dizer que em algumas ocasiões é lenitivo, refrigério, alívio e bálsamo. Bem no fundo de nossa porção ancestral residirá um homem e sua família ao redor de um dinossáurico caldeirão fumegante na entrada da caverna.


Dizem que a mãe das sopas civilizadas é a canja, levada da Índia para a Europa pelos navegadores portugueses que depois a trariam ao Brasil. Se em Portugal era apenas o caldo de galinha com arroz, no Brasil ganhou muitas versões. E cada dona de casa brasileira, na verdade, tem a sua própria receita. Acontece o mesmo com os cremes que preenchem o pão italiano, modismo que chegou por aqui há pouco tempo e agradou em cheio. Para prencher o vazio formado pela escavação do pão, feita com cuidados de arqueólogo a fim de não perfurar a parede redonda, use a imaginação. O da foto é um creme que inventei para usar sobras de vários queijos que estavam na geladeira. Eram pedacinhos de parmesão, mineiro, muçarela, parma, gruyère e emental, miscelânea de brasileiros, italianos e franceses. Mas se você tiver só um tipo também dá certo. Ralei todos, medi, deu duas xícaras de chá. Fiz um caldo de galinha, com tablete concentrado. Coloquei os queijos no caldo fervente, mexi, desliguei a chama, reservei. Bati três gemas com três xícaras (chá) de leite e acrescentei três colheres de amido de milho. Passei por peneira para retirar a película que envolve a gema e costuma deixar gosto forte de ovo nos pratos. Liguei de novo a chama e despejei a mistura de gemas no caldo, mexendo até engrossar. Foi aí que percebi que havia feito um bechamel às avessas... Antes de começar a fazer o caldo, tinha untado o interior do pão com um pouquinho de margarina e levado ao forno bem quente, para que ficasse firme e crocante. (O pão do tipo italiano é  ideal para esta receita, por sua massa grossa, em cujo processo de levedura entra o vinagre de vinho). Retirei o pão do forno, preenchi o interior com o creme, salpiquei queijo ralado e servi para quatro pessoas. Não sobrou nem farelo.

Veja os quadros abaixo: