08 de julho de 2026

Colorido e gostoso


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Na feira-livre; lá é possível comprar não só este como outros diversos feijões aos quais não fomos acostumados

Ele é bonito de se ver, gostoso para comer e, se não bastassem as duas qualidades, faz bem à saúde. É o que garante a nutricionista Karoline Frota, ligada ao Laboratório de Nutrição Aplicada da Faculdade de Saúde Pública da USP, que lidera estudos a respeito. Iniciadas depois de divulgação de reportagens com moradores de regiões nordestinas pouco afetados pelo colesterol e pelo diabetes, e em cuja dieta o feijão fradinho entra diariamente, as pesquisas avançaram com rapidez. De nome científico Vigna unguiculata, também conhecido como feijão caupi e feijão de corda, o fradinho é rico em cálcio, ferro, potássio, magnésio. Mas, eis a grande vantagem sobre os outros, possui uma proteína, a vicilina, que inibe a absorção de carboidratos. Desde muito tempo a sabedoria popular apontava para as propriedades salutares do fradinho, atribuindo-lhe poderes terapêuticos. Coube a Karoline o trabalho de isolar a proteína, o que demandou trabalho tão custoso quanto relevante. A próxima etapa será usar em laboratório a substância, que em experiências se revelou capaz de limpar perfeitamente fígados de cobaias.

Ingrediente essencial do baião-de-dois, sua história remonta à África, de onde veio para o Brasil no porão de navios negreiros, trazido por colonizadores portugueses e espanhóis. Plantado primeiro na Bahia, foi subindo pelo litoral e, dada a facilidade da aclimatação, logo se tornou a “comida de sustância” à qual se juntavam carne seca e abóbora, ingredientes desde sempre presentes na cozinha daquela região. Este cardápio sustentou muitas gerações e continua do agrado dos contemporâneos, pois mesmo em outras regiões, onde exista um Centro Nordestino esta comida também pertencente à memória afetiva estará presente.

Seja ao lado do arroz, ao qual se reúne por pedacinhos de queijo coalho; seja misturado a carnes diversas na forma de ensopado; seja como salada, que é o jeito mais light e aconselhável. Em entrevista a um site, a atriz Carolina Dieckman, um ano após a segunda gravidez, onde ganhara mais de vinte quilos, falava do regime que enfrentava e onde incluía salada parecida a esta que você vê na ilustração. Ela mistura grãos cozidos com pimentões vermelhos, amarelos e verdes, mais cebola, para quem gosta também coentro, este tempero polêmico, tudo temperado com molho de azeite, limão, sal e pimenta. E onde é que você vai encontrar esse feijão? Na feira-livre; lá é possível comprar não só este como outros diversos feijões aos quais não fomos acostumados, pois há muito tempo estamos submetidos à tirania dos brotos legais.

Para preparar o prato é fácil. Deixe o feijão de molho na véspera. Cozinhe com sal até ficar “al dente”, ou seja, não deve parecer excessivamente macio. Enquanto cozinha, retire a pele dos pimentões e corte-os em pedacinhos, reservando-os. Pique da mesma forma a cebola. Frite o bacon, escorra, disponha em toalha de papel para ficar bem sequinho, reserve também. Escorra o feijão depois de cozido e misture os pimentões picadinhos e a cebola. Mexa bem e junte o molho. Volte a mexer, acerte o sal, salpique o bacon (e o coentro, se gostar) e leve à geladeira. Deixe descansar por meia hora antes de servir.