08 de julho de 2026

Espetinhos de ameixa


| Tempo de leitura: 5 min
Toques silvestres: alecrim, louro...

Celebridade no nicho dos programas dedicados à gastronomia, o chef inglês Jamie Oliver não é apenas personalidade notória no Reino Unido. Seu nome é conhecido ao redor do mundo, pelo menos onde existam canais de TV por assinatura. Desde a série de estreia, The Naked Chef, veiculada inicialmente pela BBC em 1998, tudo o que ele fez até hoje acabou bafejado pelo sucesso. Que ninguém duvide do êxito de sua próxima temporada, que começa a ser exibida nesta quarta-feira, 13, às 21h15, no canal Kitchen: serão seis episódios que vão procurar desmitificar a assertiva de que todo bom prato custa muito. O título é Poupe com Jamie.

Com o inegável carisma que o deixa distante anos-luz dos sisudos chefs franceses, e apesar da implicância dos que o consideram descontraído demais na função, Oliver conquistou nos últimos 15 anos um público que o acompanha com interesse, seja como espectador que aceita o convite do chef para cozinhar com prazer, seja como leitor de seus livros, best-sellers que venderam milhões de exemplares a cada edição. Sua prosa, como seus programas de TV, têm a marca do dinamismo, da espontaneidade, da alegria, e, por que não dizer, daquela leve anarquia que caracteriza todo artista. São traços que ele certamente herdou dos pais, proprietários de um pub em Essex, o Cricketers, onde começou a trabalhar aos 16 anos, depois de abandonar estudos regulares. Detectado o talento, foi encaminhado para a escola de hotelaria de Westminster, em seguida trabalhou em alguns restaurantes estrelados da França, e, de volta a Londres, com o célebre Antônio Carluccio, a quem se mostra agradecido pelo muito que lhe ensinou.

Adepto da cozinha que prioriza o sabor natural, Oliver tem por objetivo restituir aos pratos sua simplicidade original e procura incentivar seu público a cultivar a própria horta. Há dois anos lançou-se numa campanha para melhorar a merenda escolar em seu país, defendendo a oferta de mais verduras, legumes e frutas frescas para as crianças, em lugar de comida pronta. Foi um posicionamento que o levou mais uma vez para a grande mídia, estimulando diálogos consistentes sobre o tema. Também criou, há uma década, um projeto social que conquistou prêmios internacionais: a Fundação Fifteen. Decidido a devolver à indústria hoteleira tudo o que ela havia lhe oferecido em termos de conhecimento e habilidades, abriu um restaurante-escola para jovens em regime de reinserção. Ao filmar para a TV o trabalho ali desenvolvido, obteve enorme visibilidade e simpatia. A ideia ganhou adeptos em Amsterdan e Cornwall, comunidades que reproduziram com êxito o modelo criado por Jamie. Extensão deste programa é o Fifteen London, restaurante que acolhe a cada ano, como aprendizes, 15 jovens cozinheiros em formação acompanhados de perto por 25 chefs profissionais e mentores. Foi lá que jantamos no último 4 de outubro, poucas horas depois de pousarmos em Heathrow. Recebidos por uma brasileira de fisionomia radiante, fomos acomodados no grande salão onde nacionalidades diversas se revelavam nos gestos de cumprimentos e nos menus pedidos: italianos, indianos, espanhóis, alemães, japoneses, franceses, brasileiros se mesclavam aos ingleses, que me pareceram minoria. Todas as mesas ocupadas. Entendi então porque houvera necessidade de fazer reservas com dois meses de antecedência.

Logo de cara um garçom sorridente nos avisou que, pra começar, costumavam servir algumas comidinhas a serem partilhadas e colocou pequenas travessas e cumbucas à nossa frente. Foi quando percebi entre elas uma iguaria que me remeteu ao livro Jamie viaja, que eu havia lido pouco antes. Não estava no espeto, mesmo assim o reconheci. Trata-se de um petisco de inspiração francesa, com todo o toque de um povo que reverencia ingredientes silvestres como o alecrim. Os ramos desta erva servem de espeto para ameixas recheadas com queijo de cabra e nozes, depois enroladas em finas lâminas de presunto cru, por fim temperadas com sal, pimenta-do-reino e besuntadas com geleia. Quis reproduzir aquilo, busquei o livro, testei durante a semana e agora trago o resultado. É algo para degustar antes do prato principal, simples e ao mesmo tempo sofisticado, saudável e perfumado, capaz de ser preparado na cozinha de qualquer casa em meia hora.

Comece pelos ramos de alecrim, retirando a maior parte das folhas mas deixando as mais próximas do topo. Lave bem, seque, unte com azeite. Corte o pão em cubos de quatro centímetros. Alargue o espaço de onde foram retirados os caroços das ameixas. Com uma colher pequena preencha a cavidade com queijo de cabra (ou outro queijo de consistência mole) e nozes. Enrole uma fatia fininha de presunto ao redor de cada ameixa e prenda-a no espeto de alecrim. Ponha em seguida uma folha de louro, um cubinho de pão, e outra ameixa recheada. Continue até completar quatro espetinhos. Coloque-os em travessa rasa, que possa ir ao forno. Aqueça ao máximo o forno. Regue com azeite e salpique sal e pimenta. Esfregue dos dois lados, no fundo da travessa, até ficarem bem untados. Asse-os por nove minutos, virando três vezes até ficarem dourados. Enquanto isso aqueça a geleia com um pouquinho de água para ficar com consistência para pincelar. Faça uma vassourinha de alecrim, molhe na geleia e pincele os espetinhos. Volte ao forno por um minuto para que fiquem suculentos e caramelizados. Passe para uma travessa e sirva imediatamente. Se não encontrar os galhos compridos de alecrim, use espetos comuns, de madeira, depois de os deixar de molho na água por meia hora.


Ingredientes

4 ramos lenhosos e compridos de alecrim
2 ciabatas pequenas cortadas em cubos
12 ameixas secas sem caroços
50 gramas de queijo macio
12 metades de nozes sem cascas
6 fatias compridas de presunto cru
1 maço de louro
Óleo de oliva
Sal e pimenta-do-reino moída na hora
2 colheres (sopa) de geleia de marmelo ou damasco
1 maço de alecrim

porção: 4 pessoas
dificuldade: fácil
preço: econômico