Ideias

INDICAÇÕES POLÍTICAS NAS ESTATAIS

Por Antonio TuccílioPresidente da CNSP (Confederação Nacional dos Servidores Públicos) |
| Tempo de leitura: 1 min

A Caixa Econômica Federal incorporou ao seu estatuto limitação das indicações políticas para cargos de direção do banco. Essa decisão deu-se poucos dias depois de quatro dos seus diretores ser afastados de suas funções por suspeitas de irregularidades. Todos haviam sido indicados por partidos aliados do governo do presidente Michel Temer.

Indicações políticas para cargos em instituições públicas são fontes inesgotáveis de corrupção. Um dos casos mais conhecidos envolve Paulo Roberto Costa, que foi indicado pelo PP em 2004 para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras. Ele chefiou esquema no qual 3% dos valores de contratos de empresas privadas eram destinados aos cofres do próprio PP e também do MDB e do PT. A Polícia Federal descobriu sua ligação com o doleiro Alberto Youssef, desencadeando o que hoje é a Operação Lava-Jato.

As indicações políticas também causam prejuízos financeiros. Isso ocorre porque uma boa parcela dos indicados não tem capacidade de gestão. Basta lembrar dos seis vice-presidentes dos Correios afastados em 2017 por falta de qualificação técnica, todos indicados pela Casa Civil de Temer. O afastamento somente foi possível devido à Lei das Estatais, que entrou em vigor em 2016. Para diminuir as irregularidades, cargos em estatais não podem ficar à mercê de políticos e seus interesses pessoais. A mudança é necessária, mas difícil, considerando que nossos políticos não querem 'largar esse osso'. Enquanto as indicações forem uma prática corriqueira, a imagem do Brasil continuará a ser manchada por escândalos de corrupção..

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