Um grupo de alunos e ex-alunos da ETEC do Jardim Aquárius, em São José dos Campos, se reuniu para fazer uma espécie de "vaquinha" para arrecadar dinheiro. A causa, contudo, é nobre: ajudar um professor que perdeu uma das mãos devido a uma doença.
A ideia de ajudar o professor de informática, Jorge Simeão, de 49 anos, surgiu de um dos ex-alunos, logo após o docente perder uma das mãos. A perda aconteceu devido a uma doença rara chamada "Sarcoma Epitelióide de Partes Moles/Fibrossarcoma grau 3", descoberta por Jorge em 2011.
"Começou com um pequeno choque na palma da mão e que durou alguns meses. Depois de alguns meses, esse choque virou um pequeno nódulo, e aí começou a doer", contou o professor.
A HISTÓRIA.
Após perceber os sintomas, Jorge procurou um médico especialista. No hospital, o médico alertou que a situação do professor não era um caso sério, mas que era necessário realizar uma cirurgia. A primeira cirurgia para a retirada do caroço foi feita no início de 2012.
Cerca de quatro meses depois, outro caroço apareceu na mesma palma da mão de Jorge.
"Como voltou muito rápido, o médico desconfiou. Ele fez a cirurgia novamente depois de seis meses e mandou para um outro laboratório fazer a análise. Foi aí que veio o diagnóstico que era um sarcoma epitelioide", relatou.
De lá pra cá, foram oito cirurgias, até que o professor teve que amputar o antebraço direito, em outubro de 2017. Como a perda foi da mão dominante, Jorge teve que se ausentar das salas de aula por alguns meses. A paixão pela docência, no entanto, fez com que o professor retornasse às aulas em fevereiro deste ano.
"Com muita dificuldade estou aprendendo a escrever com a mão esquerda. No próximo mês, completarei 50 anos, sendo que são 28 anos dedicados à educação. Se não fosse pela paixão pela profissão, provavelmente iria pedir aposentadoria", declarou Jorge.
A DOENÇA.
A doença, considerada raríssima, ocorre geralmente em jovens e adultos e tende a ser bastante agressiva. Inicialmente, o sarcoma não causa sintomas. Com o passar do tempo, no entanto, a doença costuma causar um nódulo ou inchaço que são visíveis e dor na região, como aconteceu com Jorge.
FUTURO.
A expectativa dos alunos é justamente fazer com que Jorge possa novamente utilizar a mão direita. Segundo o próprio professor, uma prótese biônica custa em torno de R$ 168 mil. Já uma prótese intermediária custa entre R$ 40 mil e R$ 70 mil.
"O professor tem como rotina mexer em diário de classe, fazer uma lousa bonita. A prótese me devolverá boa parte de minhas atividades, além de melhorar sensivelmente minha qualidade de vida", disse.
A arrecadação começou no dia 20 de janeiro com a meta estipulada em R$ 40 mil - preço da prótese. Dois meses depois, no entanto, o grupo conseguiu arrecadar pouco menos de R$ 3 mil.
"Sou extremamente feliz porque percebo que pude contribuir com a formação destas pessoas [os alunos]. A melhor coisa que um professor pode receber em sua vida acadêmica é o reconhecimento de seus alunos. Eu estou recebendo muito além disso", finalizou.
A 'VAQUINHA'.
Qualquer pessoa interessada em ajudar, pode realizar a doação. No próprio site onde está a arrecadação, existem informações sobre como o interessado pode doar. Não existe um valor mínimo e nem um valor máximo.
As doações podem ser feitas aqui.