A Câmara de Taubaté se baseou em um estudo inexistente para justificar o aumento de 112,7% no auxílio-alimentação dos servidores.
Com o aumento, que passará a valer em maio, o auxílio passará de R$ 220 por mês para R$ 467,95. Ou seja, o vale diário irá de R$ 10 para R$ 21,27.
Questionado pelo jornal, o diretor-geral da Câmara, Kelvi Soares, alegou que o aumento havia sido decidido com base em uma pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) que havia apontado que o custo de vida da região é um dos mais altos do país. Segundo o diretor, o custo médio da refeição na região seria de R$ 27,19, ante R$ 34,49 na região Sudeste e R$ 34,14 no Brasil.
No entanto, o Dieese não fez nenhuma pesquisa recente nesse sentido.
OUTRA PESQUISA.
Os dados citados pelo diretor-geral são referentes a um levantamento da ABBT (Associação Brasileira das Empresas de Benefício ao Trabalhador), que avaliou o custo do almoço em 50 cidades brasileiras.
O levantamento da ABBT não avaliou o custo da refeição em Taubaté ou na região em geral. No Vale do Paraíba, a única cidade citada na pesquisa foi São José dos Campos, que registrou o valor de R$ 27,19. Foi também essa pesquisa que apontou os custos de R$ 34,49 no Sudeste e R$ 34,14 no Brasil.
Entre maio desse ano e o fim da atual legislatura, em 2020, o aumento do auxílio-alimentação irá custar R$ 1,325 milhão. Ele é pago, hoje, a 169 servidores da Câmara.
SILÊNCIO.
A reportagem questionou o diretor-geral sobre o uso de uma pesquisa inexistente para justificar o aumento, mas não obteve resposta. O jornal também solicitou que a Câmara permitisse o acesso ao processo interno para alteração do valor do auxílio-alimentação, mas o pedido foi negado.
Essa não é a primeira vez que a direção da Câmara se baseia em uma informação improcedente para justificar medidas administrativas. No ano passado, uma suposta decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), inexistente, foi citada para permitir que o procurador-chefe do Legislativo passasse a receber salário acima do piso do município, que é determinado pelo que ganha o prefeito. Após o 'supersalário' ser denunciado pelo jornal, o Ministério Público ajuizou ação contra a Câmara e a Justiça suspendeu a prática..