Acasa caiu. E para recolocá-la de pé a palavra de ordem entre os caciques da política brasileira é 'acordão'. Este é o vocábulo que está ganhando força nos bastidores de Brasília, tão abalada pelos escândalos de corrupção que se sucedem vertiginosamente, colocando em xeque nomes de destaque dos principais partidos brasileiros -- mais do que isso, pondo em xeque o próprio (tão viciado e apodrecido) sistema político do nosso país.
É preciso destacar que a casa tinha alicerces construídos sobre um mar de lama. As delações premiadas da Odebrecht, apelidadas de 'delações do fim do mundo', foram uma verdadeira pá de cal, que demoliu os últimos resquícios de credibilidade da velha política exercida no Brasil.
As revelações da maior empreiteira do país também revelam que o sonho do "Brasil Grande", alimentado sobretudo nos oito anos de presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre 2003 e 2010, foram construídos com base em licitações extremamente sujas.
A empresa ganhou a África e a América Latina com auxílio do governo. Garantiu contratos bilionários, mas, em contrapartida, assumiu o controle sobre a gestão do país. Ajudou, inclusive, na edição da famosa "Carta aos Brasileiros", escrita por Lula em 2002.
A trajetória da Odebrecht refaz um caminho antigo. As raízes estão na ditadura militar, durante os anos 1970, quando o país experimentou outro sonho de "Brasil Grande".
Nesta Era Lula, a Odebrecht foi a escolhida para prestar serviços ao "Brasil Grande". Toda a sua estrutura, montada com apoio do Estado, foi usada em benefício de presidentes amigos. Garantiu contratos bilionários e financiou campanhas. Em troca, acontecia o que estamos assistindo diariamente pelo noticiário.
Todos esses episódios deveriam servir de lição à classe política, responsável por uma verdadeira faxina. Mas, em movimento contrário, não há autocrítica aparente. Nada de esforço para superar essa etapa. Ninguém parece disposto a curar as feridas.
No momento em que casa desmorona, a ordem é o 'acordão'. Em vez de consertar, tenta-se construir uma nova casa. Mas novamente sobre um terrível mar de lama.