A execução da vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ), quarta-feira, 14, e o motorista Anderson Pedro Gomes cala a voz de uma representante do povo pobre, em sua maioria negro e discriminado.
Dos 51 vereadores, Marielle foi a 5ª mais votada com 46,5 mil votos. A execução ocorreu no asfalto, não nos morros. Isso diz muito sobre as circunstâncias da execução de Marielle, que era socióloga, mestre em administração pública e lutava contra a violência policial num país em que um jovem negro é assassinado a cada 21 minutos. Os dados são do Centro de Informações da ONU no Brasil.
Marielle denunciou que o 41º batalhão da PM do Rio está violentando moradores de Acari. Dois jovens foram mortos e jogados em vala comum. Segundo o ISP (Instituto de Segurança Pública), o 41º batalhão da PM do Rio registra 450 mortes só nos últimos cinco anos.
A execução da vereadora e do motorista tenta barrar a luta por transformações sociais e o sonho de que outra sociedade é possível.
A intervenção militar no Rio é resultado do fracasso da política de combate ao crime e não poderá jamais resolver a falta da presença do Estado nos morros, nas periferias, assim como nos centros com saúde, educação, lazer, cultura, qualidade e perspectiva de vida.
A luta de Marielle segue viva, é travada por milhares de trabalhadoras e trabalhadores, negros, brancos, pobres das periferias ou dos centros contra a criminalização da pobreza, a espetacularização de ações militares e a supressão de direitos..