Lavou as mãos. Indiferente ao clamor popular, o prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSDB), decidiu dar de ombros, sem a menor cerimônia, e lavou as mãos em relação à polêmica em torno do bosque da avenida Tívoli, área verde que reúne centenas de árvores e animais raros, alguns deles até ameaçados de extinção, e está frontalmente ameaçada. Em entrevista concedida a OVALE, o tucano afirmou que não há dinheiro para adquirir o terreno de 8,5 mil metros quadrados hoje pertencente à construtora Marcondes Cesar, que planeja construir um estacionamento no local, com capacidade para 172 veículos. A derrubada dessas 430 árvores raras, um oásis verde em um centro entorpecido de cinza, está suspensa por uma liminar -- uma frágil decisão judicial, frágil como a vida dos animais ameaçados neste bosque da Vila Betânia. Que animal sobreviverá?
Na avaliação de Felicio, porém, o papel do governo já está esgotado em relação ao bosque. 'No ponto de vista legal, tudo que for de responsabilidade da prefeitura será feito, mas no ponto de vista orçamentário é importante que haja um planejamento dos investimentos da cidade. Talvez no futuro sim, mas no momento não existe recursos nem previsão orçamentária para a compra', afirmou Felicio, que já está sendo criticado, principalmente nas redes sociais, por ter adotado a cômoda postura de 'Poncio Pilatos', confortavelmente lavando as mãos. Optou pelo muro.
'Mas tem verba para aumentar os salários dos secretários?', postou um internauta.
Nos corredores do Paço, a queixa é de que o PT, que hoje cobra a preservação do bosque, no ano de 2015 era governo e então planejava autorizar, com a mudança no Zoneamento, a construção de prédios na área. Mas, e daí? Afinal, o que está em jogo? A eterna queda-de-braço entre os partidos PT e PSDB? Não, o caso do bosque da Vila Betânia é muito mais do que isso. Maior, muito maior até do que as 430 árvores ameaçadas. São José precisará decidir -- urgentemente -- qual conceito de progresso e desenvolvimento desenhará as linhas do futuro.
Mais um estéril estacionamento ou, como clama a sociedade de São José, a preservação desta área verde no centro da cidade?
Caso o bosque seja aniquilado e derrubado, já há quem diga que apenas um dos animais sobreviverá. É o jabuti, que habita as emendas pontuais que parlamentares tentam fazer passar despercebido. Há um jabuti nesse bosque, só esperando uma alteração no zoneamento para surgir? Ou então uma jabuticabeira, repleta de jabuticabas políticas? O tempo dirá. Hoje, é fato: São José, neste momento crucial, só não pode lavar as mãos..