Uma mulher de 36 anos conheceu a própria irmã após um homem relatar sua semelhança com a filha dele, no Vale Histórico. A história das irmãs Luciana e Lucilene, coleciona acasos que as fizeram se reunir novamente depois de décadas sem saberem da existência da outra.
Em relato ao BBC, Luciana conta que foi doada pela mãe biológica, que não tinha condições para cuidar dela, ainda com oito meses, em Cachoeira Paulista. À época, Luciana foi morar com vizinhos, que acabaram se tornando seus pais de coração. Somente aos 9 anos, ela soube que foi adotada.
Mais tarde, com 10 anos, ela e sua mãe biológica tiveram seu primeiro encontro. No relato, Luciana conta compreender as dificuldades que a mulher enfrentou e o quão doloroso teria sido para ela doar uma filha. Ela nunca conheceu seu pai biológico. A partir deste dia, ainda menina, ela soube que dois anos depois a mãe biológica teve outra filha, também doada. Somente uma irmã mais velha morava com a mãe.
A única informação que Luciana tinha sobre a irmã mais nova era a de que ela foi adotada por uma família em Lorena, a cerca de 18 km de Cachoeira. Assim, toda vez que ia para a cidade vizinha, ela conta ter imaginado qual daquelas moradoras poderia ser sua irmã.
Em 2017, Luciana fazia um curso técnico de enfermagem e começou a atuar como estagiária em um hospital da região. Certa vez, um paciente vítima de um acidente foi atendido por ela e relatou que ela possuía uma grande semelhança com a sua filha. Ele chegou a pedir que ela acompanhasse seu tratamento, devido à familiaridade que ela lhe passava.
Intrigada com a insistência do senhor sobre o caso, ela questionou mais sobre a filha do homem. A partir daí, ele contou que a filha era adotada e a que a mãe biológica era de Cachoeira Paulista. A doação ocorreu após a mulher enfrentar dificuldades para criar a menina.
"Logo eu disse, mesmo sem ver a filha dele: ela é a minha irmã", conta Luciana, no relato.
O encontro de Luciana Sestari e Lucilene ocorreu pouco após o idoso se recuperar dos procedimentos no hospital, ocasião em que as duas reconheceram suas semelhanças e se emocionaram com as inúmeras características em comum. Depois disso, Lucilene chegou a reencontrar mãe biológica também, mas não teve a mesma interpretação da irmã.
"Percebi que minha irmã não conseguia perdoá-la por tê-la abandonado na infância. A Lucilene dizia que os únicos pais dela eram os que a criaram, atualmente já falecidos", contou Luciana. "Mantenho contato com a minha irmã caçula desde que nos encontramos. Vi o nascimento das gêmeas dela, hoje com 10 anos, e do filho mais novo, que completou um ano", continuou.
Hoje, Luciana tem dois filhos -- um casal de 15 e 11 anos, e diz que compreende as atitudes de sua mãe biológica e é feliz por ter sido criada pela família de coração.
"Penso que ela deve ter sofrido muito até decidir nos doar. Tenho certeza de que ela só nos deu porque não tinha outra opção", conclui.