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Jarbas e sua moto: 22 mil km da cidade de Papai Noel até São José

Por Papai Noel @jornalovale |
| Tempo de leitura: 5 min
Moto. Noronha, Sarah e a moto em passagem pela América Central
Moto. Noronha, Sarah e a moto em passagem pela América Central

De todas as histórias de presentes de Natal que ouvi na minha vida de Papai Noel, essa é uma das mais extraordinárias.

Um marceneiro e professor de São José dos Campos, que mora em Monteiro Lobato, o Jarbas Noronha, resolveu viajar 22 mil quilômetros em cima de uma moto que havia comprado em 1995, e que estava parada no fundo de um quintal da casa de um amigo há 20 anos.

Detalhe da história: a moto estava em uma casa no Alasca, bem pertinho de onde eu moro. Acho que ele não bate bem da cachola, mas resolveu encarar esse desafio.

Viajou com a namorada, a Sarah Oliveira Araújo, para a tal cidadezinha do Alasca, passou dois meses consertando a moto -- teve que trocar muita coisa, mas o veículo funcionou -- e agora está vindo embora para São José.

Os dois estão cruzando o continente americano em uma moto Honda CB 750 de 1977.

Noronha me contou que a primeira dificuldade foi logo no início. Eles previam sair do Alasca em agosto, antes do inverno. Mas atrasaram um pouco e só saíram em 24 de setembro, com o inverno chegando aos países do norte.

"O inverno está entrando no Canadá nessa época, com as temperaturas perto do zero. Ainda tinha nevasca. Chegamos a pegar -9ºC e tivemos que acelerar para não perder a viagem. Fizemos 3.200 km em oito dias, caso contrário a estrada seria fechada para motos", conta Noronha.

As dificuldades acabaram minimizadas pelo cenário deslumbrante que a intrépida dupla pegou: "Cenário maravilhoso, muitas cores diferentes e animais, como urso, alce, bisão, mas estava muito frio".

Nesta semana, Noronha e Sarah entraram no Panamá e seguirão para a Colômbia. Há um trecho do caminho em que terão que ir de barco. Eles devem passar o Natal em terras colombianas.

Além da moto e das belas paisagens, Noronha me contou que já recebeu um grande presente nesta viagem. E essa é outra história incrível.

O rapaz reencontrou um amigo que fez na Guatemala quando lá esteve há 26 anos. Esse homem o acolheu em sua casa quando Noronha passou por ali de bicicleta, voltando do Alasca, no final dos anos 1990 --tô falando que ele não bate bem da cabeça.

Noronha ajudou o homem a construir um presépio e, desde então, passou ele mesmo a fazer presépios aqui no Brasil. Nos últimos anos, ele instalou um presépio com peças móveis no Parque Vicentina Aranha, em São José.

"Encontrar o Carlos depois de 26 anos foi realmente incrível. Foi uma emoção para ambos", diz o professor.

Após o Natal, Noronha e Sarah retomam a estrada e calculam chegar a São José no começo de fevereiro do ano que vem. Na garupa, ele traz um ursinho panda de pelúcia para a filha Beatriz. É o mascote da viagem de Noronha e Sarah.

Rotina dura: 300 km rodados todos os dias para vencer travessia das Américas

A viagem de Jarbas Noronha e Sarah Oliveira Araújo pode ser acompanha pelas redes sociais de ambos. É o que estou fazendo aqui, no meu computador em North Pole, a minha cidadezinha preferida no Alasca e para onde milhares de crianças de todo o mundo enviam cartas.

O casal de namorados de São José dos Campos me visitou antes de sair para a viagem de 22 mil quilômetros.

Noronha se lembrou da primeira vez que esteve aqui, no final dos anos 1990, quando pedalou do Vale do Paraíba até o Alasca. De bicicleta!

Sarah tem publicado um diário da viagem na internet. Ele nos conta, por exemplo, que eles seguem uma rotina rigorosa e com horários rígidos para dar conta de atravessar as Américas de moto. O casal acorda às 6h, toma café composto de aveia, leite em pó e banana. A viagem do dia começa às 8h. Eles vão até umas 13h, quando param para almoçar, geralmente alguma comida típica do lugar onde estão.

Voltam para a estrada e vão até por volta das 19h, quando chegam em algum hotel, camping ou casa de amigo para o pernoite. O jantar também é de comida típica, normalmente.

Conta a Sarah: "Fazemos 300 km por dia com paradas de 4 a 10 minutos, de uma em uma hora para o corpo aguentar".

Segundo me confessou, é bom viajar de moto, mas deixa dores em várias partes do corpo. Podem imaginar onde é pior, né?.

Todo mundo se lembra do Papai Noel no Natal. Nem sempre falam de mim, que estou ali sempre ao lado dele, batalhando para entregar milhares de presentes. Afinal, ser mulher não é fácil nem mesmo para a Mamãe Noel.

Eu trabalho em casa, cuido do Papai Noel e ainda embrulho os presentes de Natal, com aqueles milhares de ajudantes que a gente tem.

Quando eu resolvo aparecer ao lado do Papai Noel, o carinho das pessoas me emociona demais. É sempre uma festa. Parece que estão pertinho da própria mãe. Acho que ser Mamãe Noel é ser um pouco mãe de todo mundo. O coração é gigantesco.

Esses dias bate um papo com uma colega, que virou Mamãe Noel nesse Natal.

É a dona Margarida Veras, 67 anos, que mora São José dos Campos e trabalha há mais de 10 anos no Vale Sul Shopping, na zona sul da cidade.

Ela me contou que foi surpreendida pelo convite do centro de compras, para viver a Mamãe Noel durante o período de Natal, atendendo milhares de crianças que passam pelo shopping. Era um desafio e tanto, mas nem pestanejou.

"Foi uma surpresa para mim. Não tive nem tempo para pensar. Gosto muito de desafios e topei na hora. Aceitei encarar e estou muito feliz", conta.

Com nome de flor, ela é muito querida por todos. "As crianças aceitaram muito bem, mas também os adultos e idosos. Estou muito feliz".

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