Uma moradia digna deveria ser algo básico a qualquer ser humano. Previsto em Constituição e na declaração universal dos Direitos Humanos, um lar com condições adequadas para se viver deveria ser direito fundamental para todas as pessoas. Infelizmente, a realidade passa bem longe do ideal e, dia após dia, muitos vivem com medo de perder tudo o que têm -- e, às vezes, até a própria vida.
Só no Vale do Paraíba, 43 mil pessoas vivem em áreas consideradas de risco. São 14 mil moradias em locais com perigo de deslizamento ou alagamento. Ou ambos. Tragédias como a de Campos do Jordão, duas semanas atrás, quando um bebê, uma criança de cinco anos, um adolescente de 13 e uma mulher de 54 morreram, voltam a nos lembrar a dura vida de muita gente.
No mundo ideal, é bom repetir e relembrar, casos com o das famílias dos bairros Monte Carlo e Vila Britânia jamais existiriam, porque todas estariam em um lugar melhor, mais seguro. E o que fazer? Retirar as famílias das áreas de risco é uma opção adequada, mas não é tão simples quando aquilo é tudo que muitas pessoas têm, a única opção. Não há certo ou errado -- apenas o perigo constante.
Sem nenhum tipo de regra, como você pode acompanhar no Documento OVALE especial nesta edição, o Brasil não tem projeto habitacional específico para áreas de montanha. Ou seja: mais do mesmo e risco constante.
Casos assim, infelizmente, são tragédias anunciadas. Há até uma questão política envolvida, já que é difícil encontrar quem queira se indispor com tantas famílias assim, mas o poder público precisa, de qualquer jeito, resolver situações como essa..