Consórcio que administra as empresas do transporte coletivo em São José dos Campos, a Busvale criticou a "judicialização" do valor da tarifa de ônibus, dizendo que pode levar ao caos o sistema de mobilidade do município
No início dessa semana, a Justiça barrou o aumento no preço da passagem em São José. A intenção do governo Felicio Ramuth (PSDB) era que o reajuste fosse de 7,3%, passando de R$ 4,20 para R$ 4,50 ao passageiro comum. O valor do passe seria de R$ 5,20, contra os R$ 4,84 atuais.
Na decisão, a Justiça apontou que há "evidente risco de lesão irreparável" e determinou que o reajuste aplicado seja retroativo referente apenas aos meses de abril a novembro -- no valor de 1,76%, subindo para R$ 4,27 ao usuário e o passe a R$ 4,92.
Nesta quinta-feira, a Busvale se pronunciou sobre o caso e afirmou, em nota, que a "judicialização do valor da tarifa de ônibus, sem apresentação de propostas que busquem uma saída justa para todas as partes envolvidas, apenas leva o sistema de mobilidade urbana ao caos, gerando, como efeito direto, o risco de um desequilíbrio na economia local."
Anteriormente, o Consórcio 123, que administra o sistema de bilhetagem do município, se manifestou contrário à proposta. As três empresas (Joseense, Expresso Maringá e Saens Peña) enviaram documentos à prefeitura com as solicitações de aumento, que vão de R$ 5,64 a R$ 6,03 sem ISS (Imposto Sobre Serviços) e de R$ 5,81 a R$ 6,22 com o imposto. O reajuste anual está previsto em contrato.
AUMENTO.
"O reajuste proposto pela Prefeitura de São José dos Campos não atende, infelizmente, às reivindicações feitas pelas empresas. Índices inferiores a isso, muito menos. É imperativo obedecer às regras determinadas pelo contrato de concessão e buscar alternativas para o equilíbrio do sistema", diz nota enviada pela Busvale nesta quinta-feira.
Já a Prefeitura afirmou que o reajuste "segue as regras definidas nos contratos de concessão e legislação vigente, tendo sido precedido de procedimento de auditoria e consulta ao Conselho Municipal."
Consórcio diz que empresas perderam quase 950 mil passageiros em oito anos
De acordo com o Cosórcio123, as empresas de ônibus de São José perderam 946 mil passageiros pagantes, comparando dados de agosto de 2011 a dados de agosto de 2019. No mesmo período, o número de gratuidades do sistema aumentou de 1.890.000 para 3.375.00.
"A esse cenário de desequilíbrio soma-se a chegada dos aplicativos de transporte, que passaram a competir por passageiros com o sistema tradicional de transporte urbano", diz nota enviada pela Busvale, afirmando que as três empresas empregam quase 2.000 pessoas em São José e injetam cerca de R$ 10 milhões por mês no município.