OPINIÃO

OPINIÃO

Influenciadores poderosos

Influenciadores poderosos

Por Gilberto Nascimento | 04/11/2023 | Tempo de leitura: 4 min
secretário estadual de Desenvolvimento Social

Por Gilberto Nascimento
secretário estadual de Desenvolvimento Social

04/11/2023 - Tempo de leitura: 4 min

Conheci um rapaz que, aos 08 anos, foi expulso de casa pela violência de um pai alcoólatra. Passou mais de 20 anos na Cracolândia. Outro, tornou-se dependente químico ao fazer uso das chamadas drogas recreativas. O que parecia inofensivo resultou em quase duas décadas de uma vida roubada pela cocaína e crack, entrando e saindo de casas de recuperação. O melhor seria nunca terem embarcado nessa viagem mortal, pois o caminho de volta, em ambos os casos, foi árduo, escorregadio, com dezenas de recaídas, famílias igualmente adoecidas e perspectivas sombrias.

Esses são apenas dois exemplos entre os milhões de pessoas capturadas pelo vício em todo o mundo. O Relatório Mundial sobre Drogas 2023, lançado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), estima que mais de 13,2 milhões de pessoas fizeram uso de drogas ilícitas injetáveis no mundo, um aumento de 18% em relação ao ano anterior. Globalmente, mais de 296 milhões de pessoas usaram drogas no último levantamento, um aumento de 23% em relação à década anterior. Enquanto isso, o número de pessoas que sofrem de transtornos associados ao uso de drogas subiu para 39,5 milhões, um aumento de 45% em 10 anos.

Esse crescimento exponencial explica-se pelas inúmeras mazelas humanas, mas também pela produção de baixo custo, fácil e rápida das drogas sintéticas, como é o caso da metanfetamina -- a mais difundida do mundo – e, mais recentemente, o fentanil, um opioide devastador. Em 2021, a maioria das quase 90 mil mortes por overdose relacionadas a opioides na América do Norte envolveu fentanil fabricado ilegalmente.

A população jovem é a mais vulnerável, bem como a mais afetada pelos transtornos associados ao uso de drogas em várias partes do mundo. Na África, por exemplo, 70% das pessoas em tratamento têm menos de 35 anos de idade. No Brasil, não é diferente.

Prevenção começa em casa

A prevenção desempenha um papel crucial na mitigação da dependência química. Pesquisas acadêmicas demonstram que a prevenção não só é mais eficaz, como mais econômica. Para cada US$1 investido em prevenção, pode-se economizar até US$10 em custos de tratamentos e cuidados de saúde.

Programas de prevenção podem fornecer apoio psicossocial, educar sobre os riscos associados ao uso de álcool e drogas e encorajar a busca de ajuda antes que a dependência se estabeleça.

Mas nada se compara à influência da família. Estabelecer um ambiente onde os membros da família se sintam à vontade para discutir problemas relacionados ao uso de substâncias psicoativas é fundamental.

Lembro-me das conversas que os meus pais, desde muito cedo, tiveram com meus dois irmãos e comigo sobre o perigo das drogas. “Fiquem longe! Não aceitem! Nem experimentem! ” -- eram alertas simples, mas funcionavam. Era uma época em que jamais se cogitava legalizar o uso das drogas. Poucas pesquisas estavam à disposição, mas a destruição de vidas, de famílias, de futuro já estava posta.

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) diz em seu site: “Após avaliação criteriosa, tendo em vista os diversos prejuízos destacados, no momento, não apoia o uso da cannabis e de seus derivados com fins medicinais na área de Psiquiatria, nem apoia seu uso para fins recreativos. Não há evidências científicas suficientes que justifiquem o uso de nenhum dos derivados da cannabis no tratamento de doenças mentais. Em contrapartida, diversos estudos associam o uso e abuso de cannabis, bem como de outras substâncias psicoativas, ao desenvolvimento e agravamento de doenças mentais. ”

E continua: “O uso e abuso das substâncias psicoativas presentes na cannabis causam dependência química, podem desencadear quadros psiquiátricos e, ainda, piorar os sintomas de doenças mentais já diagnosticadas. Esse é o caso da esquizofrenia - estima-se que o risco para desenvolvimento da doença seja quatro vezes maior e o uso de cannabis piora o prognóstico da doença. O uso de cannabis também está associado à alteração basal de humor, à depressão, ao transtorno bipolar, aos transtornos de ansiedade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e à ideação suicida. ”

Apesar dos esforços de muitos setores contrários, pode ser que um dia a descriminalização do uso das drogas seja uma realidade no país, uma realidade a se lamentar profundamente. Esse é mais um motivo porque devemos falar sobre prevenção.

Pais e cuidadores são influenciadores poderosos na vida de uma criança e não podem duvidar desse poder. Suas palavras, conversas e conselhos valem muito e serão mais eficazes quanto mais cedo começarem. Uma criança precisa ser conduzida por caminhos de vida. Drogas sempre serão caminhos de morte. Não importa o quanto tentem normalizar essa prática.

Conheci um rapaz que, aos 08 anos, foi expulso de casa pela violência de um pai alcoólatra. Passou mais de 20 anos na Cracolândia. Outro, tornou-se dependente químico ao fazer uso das chamadas drogas recreativas. O que parecia inofensivo resultou em quase duas décadas de uma vida roubada pela cocaína e crack, entrando e saindo de casas de recuperação. O melhor seria nunca terem embarcado nessa viagem mortal, pois o caminho de volta, em ambos os casos, foi árduo, escorregadio, com dezenas de recaídas, famílias igualmente adoecidas e perspectivas sombrias.

Esses são apenas dois exemplos entre os milhões de pessoas capturadas pelo vício em todo o mundo. O Relatório Mundial sobre Drogas 2023, lançado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), estima que mais de 13,2 milhões de pessoas fizeram uso de drogas ilícitas injetáveis no mundo, um aumento de 18% em relação ao ano anterior. Globalmente, mais de 296 milhões de pessoas usaram drogas no último levantamento, um aumento de 23% em relação à década anterior. Enquanto isso, o número de pessoas que sofrem de transtornos associados ao uso de drogas subiu para 39,5 milhões, um aumento de 45% em 10 anos.

Esse crescimento exponencial explica-se pelas inúmeras mazelas humanas, mas também pela produção de baixo custo, fácil e rápida das drogas sintéticas, como é o caso da metanfetamina -- a mais difundida do mundo – e, mais recentemente, o fentanil, um opioide devastador. Em 2021, a maioria das quase 90 mil mortes por overdose relacionadas a opioides na América do Norte envolveu fentanil fabricado ilegalmente.

A população jovem é a mais vulnerável, bem como a mais afetada pelos transtornos associados ao uso de drogas em várias partes do mundo. Na África, por exemplo, 70% das pessoas em tratamento têm menos de 35 anos de idade. No Brasil, não é diferente.

Prevenção começa em casa

A prevenção desempenha um papel crucial na mitigação da dependência química. Pesquisas acadêmicas demonstram que a prevenção não só é mais eficaz, como mais econômica. Para cada US$1 investido em prevenção, pode-se economizar até US$10 em custos de tratamentos e cuidados de saúde.

Programas de prevenção podem fornecer apoio psicossocial, educar sobre os riscos associados ao uso de álcool e drogas e encorajar a busca de ajuda antes que a dependência se estabeleça.

Mas nada se compara à influência da família. Estabelecer um ambiente onde os membros da família se sintam à vontade para discutir problemas relacionados ao uso de substâncias psicoativas é fundamental.

Lembro-me das conversas que os meus pais, desde muito cedo, tiveram com meus dois irmãos e comigo sobre o perigo das drogas. “Fiquem longe! Não aceitem! Nem experimentem! ” -- eram alertas simples, mas funcionavam. Era uma época em que jamais se cogitava legalizar o uso das drogas. Poucas pesquisas estavam à disposição, mas a destruição de vidas, de famílias, de futuro já estava posta.

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) diz em seu site: “Após avaliação criteriosa, tendo em vista os diversos prejuízos destacados, no momento, não apoia o uso da cannabis e de seus derivados com fins medicinais na área de Psiquiatria, nem apoia seu uso para fins recreativos. Não há evidências científicas suficientes que justifiquem o uso de nenhum dos derivados da cannabis no tratamento de doenças mentais. Em contrapartida, diversos estudos associam o uso e abuso de cannabis, bem como de outras substâncias psicoativas, ao desenvolvimento e agravamento de doenças mentais. ”

E continua: “O uso e abuso das substâncias psicoativas presentes na cannabis causam dependência química, podem desencadear quadros psiquiátricos e, ainda, piorar os sintomas de doenças mentais já diagnosticadas. Esse é o caso da esquizofrenia - estima-se que o risco para desenvolvimento da doença seja quatro vezes maior e o uso de cannabis piora o prognóstico da doença. O uso de cannabis também está associado à alteração basal de humor, à depressão, ao transtorno bipolar, aos transtornos de ansiedade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e à ideação suicida. ”

Apesar dos esforços de muitos setores contrários, pode ser que um dia a descriminalização do uso das drogas seja uma realidade no país, uma realidade a se lamentar profundamente. Esse é mais um motivo porque devemos falar sobre prevenção.

Pais e cuidadores são influenciadores poderosos na vida de uma criança e não podem duvidar desse poder. Suas palavras, conversas e conselhos valem muito e serão mais eficazes quanto mais cedo começarem. Uma criança precisa ser conduzida por caminhos de vida. Drogas sempre serão caminhos de morte. Não importa o quanto tentem normalizar essa prática.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SAMPI

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