07 de novembro de 2026
SÃO PAULO

Polícia investiga morte de falso padre condenado por estelionato

Por Jorge Abreu | da Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Marcos Fontana, que se apresentava como monsenhor Marcos

A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte de Marcos Rodrigues Fontana, 65, que se passou por padre, recebeu doações em nome de orfanatos que nunca existiram e foi condenado por estelionato. Ele morreu na última quinta-feira (5) no apartamento onde morava, na alameda Barão de Limeira, centro de São Paulo.

Fontana tratava diversos problemas de saúde, entre os quais hérnia abdominal e hipertensão arterial, e recebeu alta na última segunda-feira (2) após mais de 20 dias de internação, segundo depoimento do companheiro dele à polícia.

Ainda segundo relato do companheiro, registrado em boletim de ocorrência, Fontana sofreu convulsões antes de morrer. Ele disse que pediu ajuda para chamar o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que constatou o óbito ainda no local. A causa da morte segue sob investigação da perícia.

O irmão de Fontana também prestou depoimento. Segundo ele, há aproximadamente um mês, Fontana enviou mensagem para diversos familiares relatando que o companheiro estaria lhe dando medicamentos sem seu conhecimento ou consentimento, o que chegou a deixá-lo dopado em algumas ocasiões.

De acordo com o irmão, Fontana atribuiu as crises renais ao uso irregular de remédios e de canetas emagrecedoras, que teriam ocasionado sua internação hospitalar.

A família afirmou que, há uma semana, passou a receber mensagens de uma pessoa identificada como padre Francisco, que passava informações diárias sobre o estado de saúde da vítima, bem como solicitou valores em dinheiro que seriam destinados à compra de fraldas e remédios.

Fontana relatou à família, logo após sua alta hospitalar, ter notado que objetos de valor tinham sumido de sua casa. Ele teria atribuído o furto ao tal padre Francisco. Os parentes disseram na delegacia que não tinham informações sobre essa pessoa.

O companheiro de Fontana, segundo o irmão, não permitiu que os familiares tivessem acesso ao aparelho celular, cartões bancários e documentos pessoais dele.

A reportagem não conseguiu contato com o companheiro de Fontana.

Fontana foi condenado em 2009 por estelionato após realizar celebrações fúnebres ilegais.

Em abril deste ano, ele não parou de fazer vítimas. Famílias católicas tradicionais de São Paulo desconfiaram dos pedidos de ajuda para ações sociais e um orfanato, que depois confirmaram que nunca existiram.