07 de novembro de 2026
CONTRA AGIOTAGEM

Operação prende escrevente de cartório e mais 10 em Campinas

Por Thiago Rovêdo | Especial para Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 1 min
Divulgação/1° Baep
Gaeco cumpre 11 mandados de prisão e 24 de busca contra grupo investigado por usura, extorsão e lavagem de dinheiro.

O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Campinas, deflagrou nesta sexta-feira (6) a Operação Shylock, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por usura, extorsão, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e outros delitos correlatos.

Para o cumprimento das medidas cautelares deferidas judicialmente, foram expedidos 11 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão, além de determinações de bloqueio de bens e valores, sequestro de imóveis e afastamento cautelar de função pública.

Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em endereços residenciais e empresariais localizados principalmente em Campinas, abrangendo imóveis nos bairros Cambuí, Jardim Chapadão, Parque Prado, Nova Campinas, Nova Europa, Taquaral, Vila dos Plátanos, Vila Lemos e Vila São Bernardo, além de endereços vinculados às empresas investigadas. Também foi cumprido mandado de prisão contra um escrevente de cartório de notas da cidade.

Segundo as investigações, o grupo atuava na concessão de empréstimos particulares garantidos por alienação fiduciária de imóveis. Para dificultar a identificação dos reais beneficiários dos recursos movimentados, a organização utilizava estruturas empresariais, pessoas interpostas e mecanismos de ocultação patrimonial.

As apurações indicam que a organização criminosa agia de forma estruturada e permanente, com divisão de funções entre os responsáveis pela captação de vítimas, pela negociação dos empréstimos, pela formalização contratual, pela administração financeira, pela cobrança e pela ocultação dos valores obtidos ilicitamente.

Até o momento, foram identificadas aproximadamente 50 operações semelhantes, envolvendo ao menos 62 vítimas — das quais 18 perderam seus imóveis, segundo as investigações. As apurações também apontam movimentações financeiras suspeitas, uso de empresas de fachada e sucessivas transferências patrimoniais destinadas a dissimular os recursos que teriam sido obtidos com as atividades ilícitas.