O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), criticou nesta segunda-feira (3) "movimentos que tentam insurgir a população contra a Suprema Corte". Ao mesmo tempo, evitou fazer críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), aliado para quem fez campanha, dizendo não poder julgar suas atitudes após as eleições.
O comentário sobre o STF (Supremo Tribunal Federal) foi feito ao ser questionado sobre a ação movida pelo PSD de Eduardo Paes para tentar garantir a realização do segundo turno no estado.
"Em relação à questão de eventuais questionamentos ao resultado proclamado pela Justiça Eleitoral do Brasil, a gente tem de lamentar movimentos que tentam insurgir a população contra a Suprema Corte do nosso país, querendo mudar o resultado já proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Realmente é uma afronta à Justiça Eleitoral", afirmou Ruas, durante entrevista coletiva para anunciar os primeiros integrantes de seu secretariado.
"É dessa maneira que nós vemos. Mas nós temos muita confiança no sistema eleitoral do Brasil e temos a pura convicção de que essa questão está superada. As eleições de 2026 já se encerraram em todo o território nacional."
À reportagem, após a entrevista, Ruas disse que o comentário sobre o fim das eleições também se refere à disputa presidencial, questionada por seu aliado. Ele disse não poder julgar as atitudes do senador do PL.
"Não cabe a mim julgar a decisão do Flávio. Não sei quais foram os motivos dele que levaram a tomar essa decisão. Nosso foco total é a transição do governo, para entregar à população aquilo que prometemos na campanha eleitoral. As eleições em 2026 se encerraram em todo território nacional. Esse é o meu entendimento", afirmou o governador eleito à reportagem.
Flávio Bolsonaro não reconheceu a reeleição do presidente Lula e classificou como uma "sacanagem" a atuação da Justiça durante o processo eleitoral. Dois dias depois, fugiu para os Estados Unidos e divulgou uma carta na qual se dizia, inicialmente, o "verdadeiro presidente eleito", expressão depois alterada para "líder do país".
Paes, por sua vez, propôs uma ação no Supremo questionando a anulação dos votos dados a Anthony Garotinho (Republicanos) no primeiro turno da disputa pelo Palácio Guanabara, determinada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A decisão ampliou o percentual de votos válidos para Ruas de 49,27% para 50,88%, encerrando o pleito.
O governador eleito disse também que Flávio Bolsonaro não pediu para fazer indicações para cargos em sua gestão.
"Antes da eleição do segundo turno, sempre que falamos sobre Rio de Janeiro, ele disse: 'Monte um governo técnico, faça as entregas para a população'. Nunca manifestou interesse em indicar nada. Ele não tem esse interesse", afirmou à reportagem.
O governador eleito confirmou as escolhas da vice-governadora Fernanda Louback (PL) como secretária de Inclusão e Mulher, da socióloga Maria Gabriela Bessa para a Secretaria da Casa Civil e Governança, e de Anderson Monteze para a Secretaria de Planejamento, Gestão e Inovação.
Ele também confirmou que subordinará as polícias Civil e Militar à Secretaria de Segurança. A decisão contraria aliados da bancada das forças de segurança, que defendiam a manutenção das secretarias específicas para cada corporação, modelo adotado desde 2019 no governo Wilson Witzel.
"Desde o início da pré-campanha eu sempre me manifestei a favor do modelo em que todos os estados do Brasil adotam: uma Secretaria de Segurança com o comando da Polícia Civil e o comando da Polícia Militar abaixo desse secretário. E é isso que a gente vai fazer, foi isso que eu apresentei à população. Não posso fazer nada diferente daquilo que eu me comprometi com a população", declarou.
Ruas também defendeu a criação de um teto de gastos específico para o estado. Ele afirmou que, como presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), pretende aprovar uma lei estadual para limitar as despesas do governo.
"O problema é que a despesa aumentou para além do aumento da receita. O projeto de lei que nós vamos discutir na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro tem o objetivo de limitar o crescimento da despesa respeitando o aumento da receita. É esse o objetivo e é isso que a gente vai buscar através do processo legislativo para que as próximas gerações não vejam o Estado desequilibrado", disse ele.