As fortes chuvas que atingiram Maringá (PR) durante a madrugada desta segunda-feira (2) causaram estragos generalizados pela cidade que fizeram com que a prefeitura decretasse estado de calamidade pública.
Árvores caídas, muros tombados, coberturas metálicas de imóveis comerciais retorcidas no solo e interrupção no fornecimento de energia elétrica são alguns dos danos que os moradores da segunda cidade mais populosa do interior do Paraná estão enfrentando após as chuvas.
Entre 0h e 7h foram registrados 49,8 milímetros de chuva e rajadas de vento que chegaram a 40 quilômetros por hora, de acordo com o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná).
Os estragos atingiram até mesmo o quartel do Corpo de Bombeiros, de acordo com o prefeito Silvio Barros (PP), 69.
"Nós estamos fazendo o decreto de emergência porque a situação foi um clima de guerra na cidade inteira. Passei por várias avenidas, por vários bairros, avenida Colombo, enfim, um caos total", disse ele em um vídeo postado nas redes sociais.
No centro da cidade, vias como a avenida 15 de Novembro tiveram o trânsito interrompido devido à queda de árvores. O mesmo ocorreu na avenida Paranavaí, enquanto a Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira está alagada e interditada nos dois sentidos.
Na cidade toda, muitos semáforos estão sem funcionar por falta de energia elétrica, problema que às 16h30 atingia 29% do município. Por isso, regiões de Maringá podem enfrentar também falta de água.
Na Saúde, uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) funciona graças ao uso de geradores e vagas de retaguarda foram organizadas em municípios vizinhos (Umuarama, Cianorte, Paranavaí e Campo Mourão), caso seja necessário transferir pacientes.
Nas escolas, as atividades estão suspensas em unidades municipais que sofreram danos: Odete Alcântara Rosa, Pioneira Mariana Viana Dias, Dorcelina Folador e Ruy Alvino.
Além dos danos imediatos, o temporal também provocou a suspensão nos próximos dias de atendimentos como a Carreta da Saúde Bucal, que não funcionará na terça (3) e na quarta-feira (4). As consultas agendadas serão remarcadas.
Equipes da prefeitura com mais de 400 pessoas atuaram o dia todo espalhadas pela cidade para avaliar os estragos e fazer as desobstruções emergenciais, como remoção de árvores e galhos das ruas e avenidas e atendimentos em imóvels, postes e veículos danificados. Mas é necessário reforços, conforme o prefeito.
"Nossa equipe está trabalhando desde a madrugada, mas precisamos imediatamente de reforço, de solidariedade, de cooperação e, principalmente, restabelecer as comunicações o mais rápido possível." Segundo a prefeitura, a Assembleia Legislativa do Paraná irá repassar R$ 5 milhões para a recuperação do município.
"Inclusive o Corpo de Bombeiros teve o seu quartel totalmente destelhado, as telhas em cima dos carros, árvores caindo lá dentro, impedindo os veículos de sair. Então nossa primeira ação foi liberar o Corpo de Bombeiros e a Copel para que eles possam nos ajudar", disse.
Segundo a prefeitura, o objetivo do decreto de calamidade pública é permitir agilidade para as ações necessárias para reparar os danos causados pelo temporal e fazer o atendimento adequado à população do município de 432.635 habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A orientação aos moradores é que redobrem os cuidados, evitem áreas de risco e não se aproximem de árvores ou fios caídos nas ruas. Também não devem remover por conta própria galhos ou árvores, devido ao risco de contato com a rede elétrica.
Moradores que sofreram destelhamento em suas casas podem retirar lonas no quartel do Corpo de Bombeiros.
O governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD), disse que as equipes estão prestando apoio às famílias de Maringá afetadas pelas fortes chuvas.
"A Defesa Civil e Corpo de Bombeiros estão auxiliando o município em tudo o que é necessário, atendendo as ocorrências e trabalhando na retirada das árvores."
Eleito governador no mês passado, Sergio Moro (PL) se manifestou citando os danos causados à população e disse que em seu governo reforçará a "nossa capacidade para enfrentar essas intempéries".
Além de Maringá, o temporal também causou danos em Marquinho, cidade de 4.465 habitantes, no domingo (1). Estimativa da prefeitura aponta que mais de 70% da população foi atingida de alguma forma, ou por granizo ou pela ação dos fortes ventos.
Destelhamentos, postes de energia elétrica tombados e danos em prédios públicos e privados foram registrados, e a cidade ficou sem energia.
Até quarta-feira (4), estão suspensos o transporte escolar e as aulas, já que o temporal atingiu também as escolas. Conforme a administração, a situação será avaliada até quarta e um novo comunicado será divulgado.
Ao menos 270 casas sofreram avarias devido ao temporal. Foi, de acordo com a prefeitura, a quarta vez em cinco meses que o município sofreu temporais com granizo.
A possibilidade de chuvas fortes em regiões do Paraná já tinha sido prevista pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) em boletim da última quinta-feira (29).
Segundo o órgão, entre domingo e esta segunda-feira o estado estaria sujeito a chuvas com trovoadas na região noroeste, com possibilidade de granizo.
Em seu perfil no Facebook, Claudecir Zanquetta divulgou video de um morador de Cocamar que mostra a destruição provocada pelo vento na empresa em que trabalha. "Foi terrível", diz, ao explicar que barracões foram destruídos, árvores foram arrancadas e até computadores foram atirados pela janela.