O governo da Holanda apresentou ao Parlamento do país, nesta segunda-feira (26), a intenção de injetar US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) no TFFF, o fundo de florestas lançado pelo Brasil no ano passado.
O desembolso ocorreria durante um período de dez anos e depende da viabilidade financeira do fundo, que precisa alcançar um suporte de US$ 10 bilhões até o fim deste ano para acontecer. O projeto, com o apoio holandês, chega agora a US$ 7,8 bilhões de caixa.
O anúncio oficial do investimento está programado para a COP31, que começa em Antália, na Turquia, em duas semanas.
Rob Jetter, primeiro-ministro holandês, foi um dos vários líderes europeus que congratulou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória nas eleições deste domingo (25). Não está claro, porém, se o timing escolhido para o anúncio do investimento no TFFF, instrumento financeiro que remunera países por manter florestas em pé, tem relação com o cenário político brasileiro.
Um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) era tratado como forte ameaça ambiental pelos europeus, dado o histórico do governo de seu pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, sob acusação de liderar uma trama para permanecer no poder. Em recente entrevista ao jornal britânico The Guardian, Marina Silva alertou para o que chamava de "projeto perverso de destruir a Amazônia", fala que ganhou repercussão mundial.
Outro veículo que vinculou as eleições brasileiras ao ambientalismo, tema pouco discutido na campanha brasileira, foi o jornal The New York Times, que chegou a escrever que "o futuro da Floresta Amazônica pode depender de quem vencer as eleições", em clara referência aos anos de Jair Bolsonaro.