Em seu último evento em São Paulo antes do segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) fez críticas a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), especialmente Alexandre de Moraes, prometeu prisão de oito anos para ladrões de celular e, imitando de forma debochada o presidente Lula (PT), seu adversário, disse que aceitaria o desafio de abrir seus sigilos fiscal e telefônico caso o petista abrisse também as informações de seu ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Segundo a Polícia Federal, Marcola, que foi chefe de gabinete da Presidência, aceitou dinheiro da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, enquanto ela tentava negociar contratos com o governo federal que não foram concretizados.
No debate entre os candidatos realizado no último domingo (18), na Band, Lula disse que abriria os sigilos dele e de sua família caso Flávio fizesse o mesmo. A estratégia do petista era uma resposta às acusações de corrupção feitas pelo bolsonarista.
Nesta quarta, durante um discurso, Flávio imitou Lula, falando com voz rouca e língua presa, ao falar sobre o desafio. Depois, disse: "O Lula nem tem celular. Como ele quer abrir o sigilo telefônico dele?"
"Só que eu não só vou aceitar o desafio como vou levar às últimas consequências", disse o candidato. "Eu abro meu sigilo de telefone, sim, mas o Marcola tem que abrir o dele".
O candidato também fez ataques ao filho do presidente. "Lula, não me confunda com seu filho. Eu sou filho de Bolsonaro. Não sou ladrão igual seu filho."
Flávio participou de um evento em um salão de eventos em Guarulhos, na Grande São Paulo, organizado por seu partido.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), os senadores eleitos André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PL) e os deputados federais Rosana Vale (PL), reeleita, e Lucas Pavanato (PL), eleito pela primeira vez à Câmara, também discursaram. O espaço do encontro tem capacidade para 7 mil pessoas e estava todo ocupado.
Tanto Flávio quanto André do Prado e Pavanato fizeram referências ao STF e ao ministro Moraes, desafeto dos petistas. O deputado eleito afirmou que a "mamata vai acabar" para o ministro. André do Prado disse que, na próxima legislatura, seria possível fazer impeachment de ministros.
Já Flávio, além de ataques a Moraes, afirmou que os ministros do Supremo queriam "liberar o aborto" no país, em referência a um julgamento iniciado em 2017, decorrente de uma ação do PSOL que ainda está em andamento e que descriminaliza a interrupção da gravidez até a décima segunda semana de gestação.
"Eles querem assassinar crianças no ventre das mães até 12 anos [meses] de idade. Eu acabei de pegar um bebezinho no colo aqui. Desde a concepção, tem vida no ventre das mães e é isso que a gente vai defender", afirmou.
Sobre Moraes, ele disse: "O Lula teve que compartilhar sua Presidência com Alexandre de Moraes, porque ele deve a eleição dele ao Alexandre de Moraes em 2022. Se não fosse o Alexandre de Moraes, Lula, você não estava sentado nessa cadeira. Aí teve que compartilhar o poder", disse o candidato.
"E [Lula] aí começou a colocar os amigos dele no Supremo. Vocês lembram que, nos debates, ele falava que não ia colocar amigo dele no Supremo. Colocou os amigos dele no Supremo. Só que a gente não vai deixar ele colocar mais quatro Alexandre de Moraes lá não, porque a gente vai colocar lá pessoas corretas, homens e mulheres que respeitam a Constituição, que sejam contra as drogas, que sejam contra o aborto".