21 de outubro de 2026
INVESTIGAÇÃO

Testemunhas relatam choro frequente de menino de 2 anos

Por Vitor Moretti | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Vitor Moretti/Folha da Região
O menino continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Araçatuba, em estado gravíssimo e com risco de morte encefálica

A Polícia Civil de Araçatuba avançou nas investigações sobre as suspeitas de agressões contra um menino de dois anos no ambiente doméstico. A mãe da criança, de 27 anos, e o padrasto, de 26, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça por suspeita de tentativa de homicídio qualificado e tortura.

Em entrevista à reportagem nesta quarta-feira (21), a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Luciana Pistori Frascino, informou que testemunhas compareceram voluntariamente à unidade policial e prestaram depoimento.

“Essas testemunhas contaram que ouviam muito choro da criança por vários dias seguidos, o que corrobora com as investigações no sentido de que a vítima sofria maus-tratos no ambiente doméstico”, informou.

Além disso, segundo a delegada, a Polícia Civil deverá ouvir outras testemunhas nos próximos dias para esclarecer as circunstâncias do caso.

“Em tese, a versão da mãe e do padrasto de que a criança teria caído da cama não ficou comprovada, já que o menino apresentava diversos ferimentos incompatíveis com uma simples queda”, afirmou Luciana.

Criança permanece em estado gravíssimo

O menino continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Araçatuba, em estado gravíssimo e com risco de morte encefálica.

O caso veio à tona após a equipe do hospital acionar a Polícia Militar e o Conselho Tutelar diante da gravidade dos ferimentos encontrados no corpo da criança.

De acordo com o conselheiro tutelar Mauricio Aparecido Dário, responsável pelo atendimento, o órgão não havia recebido denúncias anteriores envolvendo os investigados.

No entanto, durante o acompanhamento do caso, o Conselho Tutelar tomou conhecimento de que a criança já havia passado por outros dois atendimentos médicos no Pronto-Socorro Municipal.

“O que nós recebemos no dia da comunicação do caso pela Santa Casa foi que a mesma criança já havia passado outras duas vezes por atendimento médico no Pronto-Socorro Municipal. A primeira vez com ferimento no ombro em que a mãe também alegou queda de um colchão. E a segunda vez foi algo mais complicado, porque havia um ferimento na região genital”, contou em entrevista à reportagem.

Segundo o conselheiro, essas informações também passaram a integrar os relatórios do Conselho Tutelar e o inquérito da Polícia Civil.

Além disso, o órgão providenciou o acolhimento institucional de outros dois filhos pequenos da mulher, que atualmente está grávida.

Relembre o caso

O menino de dois anos deu entrada na Santa Casa de Araçatuba na tarde de segunda-feira (19), em estado extremamente grave. A criança apresentava diversas lesões pelo corpo, principalmente na cabeça, além de comprometimento pulmonar e risco de morte encefálica.

Segundo a polícia, a mãe alegou que o filho havia caído da cama enquanto estava sob os cuidados do padrasto.

No entanto, a equipe médica apontou que os ferimentos, incluindo fraturas e lesões em diferentes partes do corpo, seriam incompatíveis com a versão apresentada pelos responsáveis.

Diante dos indícios de agressões, a Polícia Civil prendeu a mãe e o padrasto. Posteriormente, a Justiça decretou a prisão preventiva dos dois.

O casal foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado e tortura-castigo. A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias do caso.